No semestre passado (2019.2) lecionei a disciplina de Políticas Públicas para o curso de Psicologia e me propus trazer temas que não havia trabalhado anteriormente nessa disciplina. E um dos temas que me chamaram a atenção foi a síndrome de burnout.

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Efeitos da síndrome de burnout no sujeito

É interessante contar a história por trás dessa escolha. Estava em reunião com uma orientanda de doutorado e um bolsista de iniciação científica no ITP (onde fica o Observatório de Impactos Ambientais e de Saúde) quando discutíamos o quadro de saúde mental de agentes comunitários e epidemiológicos que precisam lidar anualmente com os ciclos de arboviroses. Enquanto debatíamos essa questão me deparei com um relatório sobre a síndrome de Burnout. Fui lendo um inventário e fiquei chocado com a quantidade de respostas “sim” que dei às perguntas.

E não consegui disfarçar esse espanto para meus orientandos. Embora tenha feito um “auto diagnóstico”, a sinalização era bem preocupante (para mim), o que me levou a procurar apoio e a também incluir esse tema na disciplina e pedir para os alunos e alunas fazerem uma pesquisa de campo com profissionais da saúde e que também são educadores para avaliar o estado de esgotamento. O resultado? Alarmante.

Mas vamos lá, o que é a síndrome de burnout?

Basicamente podemos responder que a síndrome de burnout é a resposta emocional oriunda de um acumulo de experiências que levaram a um estresse crônico, o que especialmente se relaciona com relações interpessoais (muitas vezes MUITO) intensas no ambiente de trabalho. O resultado são graves problemas psicológicos (o desprazer em trabalhar), mas também físicos ao trabalhador (e a trabalhadora, porque também há impactos diversos quando levamos em consideração gênero e raça entre as pessoas diagnosticadas com a síndrome de burnout).

Se tivéssemos de reduzir os indicadores da síndrome de burnout a três, poderíamos dizer que ela se caracteriza por esses fatores abaixo:síndrome de burnout

Como professor de Políticas Públicas fui atrás de saber se existem respostas como políticas públicas a esse problema de saúde pública. E sim, há uma resposta por meio da  Lei nº 3.048/99 (que regulamenta a Previdência Social no Brasil), que termina por contemplar a Síndrome de Esgotamento Profissional (Burnout) como doença do trabalho.

Um dos pontos absolutamente importantes que a literatura científica aponta é que a síndrome de burnout não pode ser reduzida à exaustão física e emocional resultante da alta sobrecarga de trabalho. A coisa é mais complicada. Devemos destacar outros dois “complicadores”:

▪Estressores de ordem interpessoal (falta de suporte que pode ser tanto no ambiente profissional quanto familiar);

▪Estressores relacionadas às interferências burocráticas em ambientes já altamente competitivos e, ao mesmo tempo, que podem incluir falta de autonomia para decisões. Aí o que é ruim pode ficar pior caso a pessoa sinta-se sempre “em débito”, ou seja, nunca faz o suficiente.

Caso tenham interesse, segue a dica de leitura desse artigo que usei para a aula:

Síndrome de burnout e projeto de ser de Fernando Gastal de Castro1; José Carlos Zanelli2

Caso seu interesse pela síndrome de burnout seja grande, tem um canal no Youtube, ” Diário de Burnout”, que oferece boas informações sobre a síndrome e dicas.

Também vale a pena assistir esse vídeo do canal do Drazio Varella