Um dos setores que movimenta milhões, quer dizer, até mesmo bilhões de dólares pelo mundo é o turismo. São montantes astronômicos. Para ser mais exato, especificamente no Brasil os valores giram em torno de U$ 163 bilhões de dólares no Brasil apenas para o ano de 2017, de acordo com a Oxford Economic em relatório produzido para a WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo). Do ponto de vista econômico e político é muito significativo para o Brasil essa injeção de recursos, o que dá mais ou menos 7% do PIB (produto interno bruto) e algo em torno de 6,59 milhões de postos de trabalho no Brasil.

Entretanto, quando comparamos o Brasil a outros países a coisa fica bem negativa. E estou dizendo negativa por conta da contribuição do setor do turismo para a economia. O Brasil aparece apenas em 117a posição no ranking desse relatório (com 185 países) que citei anteriormente.

E por que estou falando de turismo se o foco desse post é a poluição litorânea urbana? E, especificamente, o despejo irregular de esgoto doméstico nas áreas urbanas?

A resposta simples e direta é que a falta de saneamento básico impacta diretamente não apenas na saúde de quem vive nas cidades com essa deficiência, mas também impacta no turismo, atividade que como vimos traz investimento e gera empregos. As cidades na América Latina (e outras regiões como a Ásia) cresceram de maneira desordenada, em geral, e o saneamento básico não foi prioridade na gestão da maior parte das cidades. As consequências sao nefastas, como indicadores elevados de doenças relacionadas ao déficit sanitário e ambiental e mesmo impacto no desempenho escolar de crianças e jovens.

No Brasil, para se ver, o saneamento básico é deficitário de sul a norte do país, como é possível visualizar na figura abaixo.

17fcc736-0acd-4726-a4dc-5ea09c70642f

Esse é mais um post que peço para que seja lido refletindo em torno do seu dia a dia e na sua capacidade de perceber o meio que o\a cerca. Qual a sensação que tem ao observar esgoto transbordando na rua? Deve ser a mesma que a minha, algo beirando o nojo. E imagine para o turista que pagou para conhecer e desfrutar da sua cidade? Ou você que deseja conhecer determinado local, uma praia que ouviu falar tanto e, de repente, o local é um esgoto a céu aberto transbordando de gente.

Não é nada animador.

Aqui no Brasil os investimentos em saneamento básico são aquém do necessário e não é responsabilidade desse governo federal ou dos últimos. É algo compartilhado pelos governos em esfera federal e municipal, por conta do pacto federativo. De acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico, o Brasil precisa ampliar (olhem o tamanho da encrenca) em torno de 62% os investimentos em água e esgoto no país.  De acordo com dados da CNI, a media de recursos destinados ao setor foi de R$ 13,6 bilhões, mas o necessário gira em torno de R$21,6 bilhões.

Em Maceió a coisa não é nada diferente do restante do país. Hoje, dia 17 de Janeiro de 2019, decidi pedalar pela orla de Maceió e foi devido a essa experiência que decidi escrever esse post. Afinal, o que vi não me deixaria nada animado de me banhar nas águas da Ponta Verde, cartão postal da cidade.

Como disse antes, o déficit de saneamento básico é um problema coletivo que demanda uma ação orquestrada envolvendo governo federal (que detém a maior parte dos recursos financeiros para investir agora via Ministério do Desenvolvimento Regional) e as prefeituras, além, claro, da sociedade civil ou alguém acha que despejo irregular de esgoto doméstico não contribui em nada com um cenário desolador como este?

E aqui em Maceió pode se dizer que os mais ricos literalmente “cagam” onde os turistas e os mais pobres vão se banhar.

No caso da Prefeitura de Maceio, que enfrenta um problema histórico com a falta de saneamento básico e o crescimento urbano desordenado, esse problema vem sendo enfrentado aos trancos e barrancos com a finalização do Plano Municipal de Saneamento Básico e Gerenciamento Integrado de Resíduos (PMSB). Ao final de 2017 avançou um pouco mais a implementação dessa política com a meta de universalizar em até 20 anos o abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, a drenagem e o manejo dos resíduos sólidos na cidade.

E torcer e ver para crer.