Você chegou de assistir ao filme do Aquaman? Caso não tenha assistido, recomendo. E sabe qual é uma das principais justificativas de um dos vilões para a guerra entre o mundo submarino e a superfície? A catastrófica quantidade de lixo depositado nos mares. Faz sentido se revoltar contra essa catástrofe produzida pela humanidade. Foi depois de assistir ao filme que pensei em escrever esse post.

Já parou para visualizar na rua que anda ou na praia que gosta de curtir ou num parque municipal que frequenta a quantidade de plástico no chão? Já percebeu como os bueiros nas ruas acumulam plástico? E quando escrevo estou falando de garrafa plástica de água mineral ou sacola plástica de supermercado mesmo. E quando chove, sabemos que a água precisara escorrer para algum canto e se os bueiros estão entupidos ja da para imaginar o efeito que o acumulo dessa água superficial terá nas cidades que vivemos.

Acho que a resposta é positiva para todas as perguntas, o que nos leva a outra pergunta.

A poluição plástica é um problema grave no Brasil?

Sem duvida é. E gostaria de dividir com vocês, leitores e leitoras do Observatório de Impactos, alguns dados sobre esse desastre de plástico que nos assola em terra e nos mares.

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Entre 1950 e 2015, há uma estimativa de que a economia produziu 8,3 bilhões de toneladas métricas de plástico, dos quais mais ou menos 6,3 bilhões se tornaram resíduos. É MUITO PLÁSTICO. E óbvio que toda essa quantidade impactaria o meio ambiente. A coisa é ainda mais grave porque também há uma estimativa de que menos de 10% de tudo isso tenha sido reciclado. E no gráfico abaixo é possível visualizar o crescimento exponencial da produção e acumulo de plástico no mundo.

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A coisa é séria mesmo. De acordo com o estudo “Production, use, and fate of all plastics ever made de Roland Geyer, Jenna R. Jambeck e Kara Lavender Law, a produção anual de plástico bateu 2 milhões de toneladas métricas, em 1950, para 400 milhões de toneladas métricas, em 2015. É um crescimento de mais de 100%. Caso tenha interesse para ler o artigo, clique aqui.

Lembra quando escrevi mais acima que pouco de todo esse plástico produzido é reciclado? Esse é um gargalo que intensifica o efeito desse acumulo de plástico. Essencialmente temos um problema de logística aí. É claro também que devemos incorporar o impacto do comportamento dos indivíduos nesse quadro desastroso. Não é esquecer o papel do Estado por meio das políticas públicas ou o Mercado por meio da mudança no padrão de produção e destinação desses resíduos, mas também dar ao agente, esse individuo que toma água mineral e joga a garrafa no chão ou ate mesmo coloca essa garrafa no lixo a fundamental redução do consumo de plástico.

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E aí entra um problema dos mais graves que é possível associar ao mundo plástico que vivemos e esse problema é comportamental. Está no habito verdadeiramente viciante em comprar um dorflex e pedir uma sacolinha ou ir ao supermercado e carregar dezenas de sacolas plásticas para guardar seu lixo.

Mudar esse comportamento é um desafio tão grande quanto a implementação de políticas publicas que consigam atingir o objetivo de dar destinação correta a todos esses resíduos em terra e no mar. E digo isso porque o mercado reage ao que o consumidor demanda. Empresas podem transferir ao consumidor os custos dessa mudança e daí mexer no bolso vai causar rebuliço.

Duvida da importância de um verdadeiro trabalho de conscientização nesse tema?

Aqui vão algumas notícias sobre politicas concertadas entre governos e empresas e a reação, algumas vezes contrária dos consumidores, a essas iniciativas.

Rio de Janeiro

São Paulo

É um trabalho árduo. Embora seja comum ouvir discursos bonitos sobre meio ambiente e sua importância, a não incorporação dos custos ambientais ao processo econômico reflete no final das contas na socialização da percepção de que “ninguém quer pagar o custo economico ambiental dessa mudança de comportamento. E aí temos o empurra empurra entre Estado, empresas e consumidores sobre quem começa a pagar essa conta. Porque, no final das contas, todos vamos pagar, alguns mais que outros devido a desigualdade social.

E sabe porque digo isso? Porque os países ricos exportam boa parte de seus resíduos, inclusive e especialmente seus resíduos eletrônicos, permeados de muito plástico e outros poluentes. Caso se interesse nesse tipo de debate, recomendo o livro Ecologismo dos Pobres de Martinez Alier.

Um dos impactos mais perversos do plástico é na biodiversidade marinha, por exemplo. Você ou sua organização tem boas ideias para minimizar o lixo nos oceanos? Participe da construção do Plano de Ação Nacional para o Combate ao Lixo no Mar.