Uma das pesquisas que desenvolvemos no Observatório de Impactos Ambientais e de Saúde, grupo de pesquisa do CNPq que coordeno, trata de avaliar os impactos da urbanização no meio ambiente e, de forma associada, na saúde urbana. A pesquisa intitula-se “Avaliação do Impacto do Desequilíbrio Ambiental Urbano na Distribuição Espacial dos Casos Notificados de Arboviroses nas Regiões Metropolitanas de Maceió, Cuiabá, Belém e Porto Alegre”.

cropped-logo-grupo-de-pesquisa.jpgAcho que nem precisamos nos alongar muito para justificar esse tipo de pesquisa, afinal, de acordo com a ONU a maioria da população humana já habita as cidades e as maiores cidades do mundo já se encontram, em sua maioria, nos países em desenvolvimento. E, diante de um quadro de mudanças ambientais globais significativas e de severo impacto social, as cidades necessitam de resiliência, o que demanda especialmente gestão pública eficiente e articulada em nível regional, nacional e internacional. Até 2014 o Brasil, de acordo com a própria ONU, possuía 282 municípios na Iniciativa “Cidades Resilientes”, da Organização das Nações Unidas (ONU). E, ao tratarmos de resiliência, voltamos de uma forma direta a falar de Saúde Urbana. Tema que de novo nada tem a não ser as abordagens cada vez mais interdisciplinares para um tema essencialmente interdisciplinar, afinal, dialoga com campos como Saúde Coletiva, Geografia Urbana, Ciência Política, Sociologia, Economia e Planejamento Urbano.

Há toda uma literatura científica muito interessante sobre Saúde Urbana disponível gratuitamente no Scielo, plataforma de revistas com artigos de acesso livre. Um dos mais interessantes é o artigo de Waleska Caiaffa intitulado Saúde urbana: “a cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e amanhã te devora”. O artigo pode ser acessado clicando aqui. Outro artigo interessante para leitura é este de acesso livre no site da ABRASCO a partir de uma perspectiva do Sul do Brasil. O artigo pode ser lido clicando aqui.

Como dizia antes, no OIAS desenvolvemos uma pesquisa financiada (muito, mas muito importante, MUITO IMPORTANTE, afinal, sem financiamento não se faz pesquisa) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL). Incorporando o debate da Saúde Urbana, buscamos verificar o estado ambiental de regiões metropolitanas brasileiras como Maceió, Cuiabá, Belém e Porto Alegre e a relação com os casos de arboviroses que crescem de maneira exponencial nas regiões metropolitanas brasileiras. Abaixo temos um panorama brasileiro de como as arboviroses estão diretamente associada a pobreza.

Dado esse quadro, partimos da da seguinte pergunta de pesquisa: Há correlação entre o desequilíbrio ambiental urbano e a distribuição espacial dos casos de arboviroses nas Regiões Metropolitanas (RM) de Maceió, Cuiabá, Porto Alegre e Belém? A hipótese de trabalho é que há uma associação direta entre a distribuição de casos de arboviroses e o maior desequilíbrio ambiental urbano (áreas ocupadas sob acentuada desigualdade social e menor desenvolvimento humano e que perderam a função urbana do uso do solo e se degradaram) das áreas impactadas nas regiões metropolitanas. Terminamos de mapear as Regiões Metropolitanas de Maceió, Belém e Porto Alegre recentemente e tivemos o primeiro aceite de um artigo para uma revista científica e também a publicação de um capítulo numa coletânea sobre meio ambiente.

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Área das docas próxima ao Mercado Ver-O-Peso em Belém, Pará

A coisa toda é promissora cientificamente do ponto de vista interdisciplinar e aplicado e reflete uma preocupação genuína de pesquisadores e pesquisadoras pelo Brasil e outros países que padecem de situações similares. Nosso foco foi mapear as áreas abandonadas e/ou degradadas nas RM e verificar como os casos de arboviroses notificados por bairro se associavam a maior ou menor quantidade de casos notificados das arboviroses (embora saibamos do problema da subnotificação e mesmo do erro do diagnóstico). Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió, foi um caso de centenas de notificações e registros de inúmeras áreas degradadas ou abandonadas como é possível visualizar na imagem de satélite abaixo que baixamos do Google Earth.

Áreas abandonadas e degradadas em Rio Largo AL

Para quem tem interesse no tema deixo abaixo um vídeo de aula na UnBTV sobre Saúde Urbana.