Para quem pesquisa na área de Avaliação de Impactos Ambientais ou Ciências Sociais ou é jornalista, não é novidade que o Brasil lidera a vergonhosa lista de países onde mais ocorrem assassinatos de lideranças ambientais. Essa vexatória classificação não é de hoje realmente e reflete o estado hobbesiano que impera no campo, no qual o aparato de controle da violência pelo Estado não chega e o que temos é um estado de natureza onde quem mais perde são os mais vulneráveis. Defender a conservação da natureza e direitos humanos é, praticamente, desenhar um alvo no meio do peito ou na testa. Vejam bem, é assustador mesmo: em média, um ativista ambiental foi assassinado por semana nos últimos 15 anos no Brasil.

Exagero o meu?

Não. Especialmente na Amazônia (onde faço pesquisa) é uma realidade diária. Leiam abaixo o que relatores da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos afirmaram a BBC:

“O Brasil viu o maior número de assassinatos de defensores do meio ambiente e da terra do que qualquer país do mundo”, disseram especialistas das duas organizações ao apresentar um relatório sobre o assunto, em Genebra.

A organização Global Witness publicou o relatório Defenders of the Earth que traz esses dados assustadores esmiuçados: para o ano de 2014, por exemplo, foram 116 pessoas mortas, em 2015 185 e em 2016, 200. É uma curva crescente. E a impunidade acompanha o aumento dos crimes. Desesperador.

 

Impressionante é que todas essas mortes, absolutamente TODAS, são verdadeiras crônicas de mortes anunciadas. E respostas pífias do governo federal. E, dado o período, sejam em governos de Esquerda (PT) ou Direita (MDB). É claro que nesse governo Temer a Bancada Ruralista ficou ainda mais afoita por ceifar esses movimentos do campo (e florestas) do Brasil. Basta ler o relatório final da CPI da Funai-Incra, redigido pelo relator e deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). É de uma atrocidade e estímulo a essa violência que beira o inacreditável vindo de um parlamentar de um partido político em tese “social democrata”. Bom, ao menos no nome.

De toda forma, os retrocessos ambientais se acumulam nos últimos anos. Esse cenário desolador é o reflexo da baixa prioridade na agenda pública de temas como direitos humanos e conservação ambiental.

Abaixo um documentário que mostra bem essa realidade tenebrosa. Assistam e reflitam se não há condições de ficar ainda pior a partir dessas eleições em 2018.