Uma das agendas de pesquisa mais interdisciplinares é a que se propõe debater e mesmo propor reflexões que envolvam instituições e sustentabilidade. A razão é relativamente simples: vivemos um período de crise múltipla. É ambiental, mas também é econômica e política.

Os questionamentos brotam a cada dia e, para cientistas políticos e ambientais (como é meu caso) precisam responder a perguntas como: mais democracia resulta em melhor qualidade ambiental? Qual tipo de regime político tem melhor desempenho ambiental? Nem precisamos remontar a trajetória histórica dos regimes políticos e muito menos indagar qual é o melhor modelo de regime. A razão que me norteia é relativamente simples: a democracia é o regime mais responsivo ao meio ambiente e uma das razões é a busca pelo consenso ativo entre os atores políticos.

É fácil?

20110117_232409000_iOS

De forma alguma. Longe disso. A produção de impactos é tamanha que, ao me lembrar do livro “Planeta Favela” do Mike Davis, o subcapítulo intitulado “Vivendo na merda” foi uma verdadeira “eureka!” que tive para me ligar que a degradação ambiental é uma categoria muito ampla e que não é a mesma, definitivamente, a depender do contexto social que está inserida. E digo isso pela resiliência mesmo, tanto ecológica quanto psicossocial.

Os problemas ambientais (que são muitos) e suas soluções têm consequências em longo prazo dificilmente previsíveis, o que termina por não acompanhar os ciclos eleitorais característicos de regimes democráticos minimamente consolidados.

Há bons artigos e livros que se debruçam nesse debatem mas a premissa que orienta em maior medida essas reflexões é que a democracia não é um regime político perfeito para salvaguardar bens e serviços ambientais e ecossistêmicos, mas é o modelo de regime que permite maior abertura política para uma sociedade e economias mais sustentáveis ambientalmente. Comecei a leitura de um livro de Emilio F. Moran intitulado “Nós e a natureza: uma introdução às relações homem-ambiente” e não me surpreendeu que o autor (parceiro de Elinor Ostrom em excelentes publicações como essa) remeta a essa qualidade da democracia, o que também não permitiu ao autor apontar as significativas deficiências da democracia em justamente assegurar um meio ambiente equilibrado não apenas para nós, hoje, mas também para as futuras gerações e para as demais espécies que compartilham esse planeta conosco, mas não votam e nem podem fazer lobby nos congressos nacionais.

E, depois desse tempo todo parado, espero que mais e mais posts voltem a ocupar esse espaço virtual.

Ah, por fim, deixo esse vídeo de uma palestra do Jared Diamond no TED. Fantástico!