Recentemente saiu uma notícia na Folha de São Paulo que me deixou amplamente desanimado: Governo prevê, dois anos antes, aval do Ibama a megausina”. Para construir essa megausina – 7.880 megawatts estimados de potência instalada, São Luiz será maior que Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, somadas – vai ser necessária a redução de quatro unidades de conservação de grande diversidade biológica na região, além do fato de que o licenciamento já está “aprovado” sem necessariamente ter sido concluído. A demanda por energia existe e aumenta? Sim, é claro. Entretanto, o decisores políticos apostam cada vez mais num modelo que extrai os benefícios ecossistêmicos (sem falar nos efeitos ambientais perversos que podem resultar de uma ação pública  sem contabilizar os ativos ambientais e muito menos as externalidades negativas) e não apostam em inovação na gestão econômica do meio ambiente para resolver impasses entre conservação ambiental e planejamento energético.
Todo esse cenário me fez refletir sobre quais são os benefícios econômicos e ambientais que uma unidade de conservação proporciona. Mas é importante reforçar que não existe uma uniformidade no que seja uma “unidade de conservação”. Elas podem ser divididas em duas categorias e sub-divididas em: 
GRUPO DE PROTEÇÃO INTEGRAL: – Estação Ecologica (ESEC); – Reserva Biológica (REBIO); – Parque Nacional (PARNA); – Monumento Natural (MN); – Refúgio de Vida Silvestre (REVIS).
GRUPO USO SUSTENTÁVEL: – Área de Proteção Ambiental (APA); – Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE); – Floresta Nacional (FLONA); – Reserva Extrativista (RESEX); – Reserva de Fauna (REFAU); – Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS);
– Reserva  Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
É possível observar que a divisão é fundamentalmente relativa a gestão pública ambiental das UC’s, incluindo a natureza funcional distinta entre as mesmas. A classificação dupla é orientada muito em torno de dois eixos: (1) qualidade ambiental a ser conservada na unidade e (1) status ambiental, social e econômico dessa UC. O próprio modelo de gestão pública de UC’s busca harmonizar a conservação ambiental com o desenvolvimento econômico local ou nacional. Entretanto, o que percebo cada vez mais é a incapacidade política de se valorar os benefícios ambientais e econômicos proporcionados pelas UC’s. E não é por ausência de instrumentos econômicos para valoração ambiental que os decisores políticos patinam em estratégias gestoras incompatíveis com políticas de desenvolvimento sustentável. 
Mas por que não se investe em UC’s?
De acordo com Ana Paula Leite Prates, diretora do Departamento de Áreas Protegidas do MMA:  “Investir em UCs não é jogar dinheiro fora, é um investimento que dá um retorno muito bom. A cada real investido, voltam cinco”.
De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ministério do Meio Ambiente e o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUMA) apontou que as UC’s brasileiras tem um potencial econômico de retorno financeiro de quase R$ 6 bilhões ao ano. E mais: caso os investimentos fossem feitos nas UC’s elas poderiam retornar 10 bilhões de Reais até o ano de 2016.
Então por que existe tão pouca percepção política dos benefícios (para ficar apenas nos econômicos) oriundos das UC’s? É uma pergunta que fica, embora a resposta esteja bem à frente:  meio ambiente importa políticamente de forma tangencial. Desenvolvimento sustentável como meta de políticas públicas – especialmente quanto ao planejamento energético – ainda é incipiente. Pior para as futuras gerações e para demais espécies. Para conferir o relatório “Contribuição das unidades de conservação para a economia nacional” clique aqui.