Identifica-se em geral que quanto maior o índice de desenvolvimento humano (IDH) e maior PIB per capita maiores serão as “chances” de que um país tenha maior controle e transparência governamental. As razões podem ser várias. Uma delas é a de que o cidadão e a cidadã dispõe de maiores recursos educacionais, políticos e institucionais para exercer controle sobre os governantes. Mas e quanto ao desempenho ambiental (entendido como a gestão ambiental equilibrada entre as demandas econômicas e sociais e os ativos ambientais) de um país? Pode existir essa associação?
É claro que este post não tem o caráter científico necessário para o teste dessa hipótese, mas funciona ao menos como um livre exercício para se pensar a relação entre os desempenhos ambiental e econômico e o controle e transparência governamental.
Gosto muito de trabalhar com o Índice de Desempenho Ambiental (em inglês Environmental Performance Index) e ele é muito operacional para meus estudos de desempenho político ambiental que realizei durante o doutorado. De acordo com esse índice – que apresenta metas de desempenho ambiental claramente definidas, possibilita  uma mensuração adequada para efeitos de políticas públicas mais consistentes – O Brasil encontra-se, na escala de desempenho ambiental, numa posição relativamente positiva quando comparada a países desenvolvidos. No objetivo de Saúde Ambiental, que capta o impacto ambiental sobre a saúde humana, o país atingiu, na soma dos indicadores, uma média de pontuação de 86.0, embora positivo, ainda um pouco distante, por exemplo, do Canadá, que atingiu a pontuação de 98.9. 
Quanto ao objetivo de Vitalidade dos Ecossistemas, cujo meta é a redução da perda ou degradação dos ecossistemas e recursos naturais, o Brasil atingiu uma pontuação total de 78.4, de caráter relativamente alto quando observados, por exemplo, os indicadores de conservação efetiva (78.7) e risco de conservação (70.3). 
País
Posição IDA (2008)
IDA
PIB per capita
Índice de Percepção de Corrupção
Suíça
1o
95.5
56.579 (US$)
(9.0)
Suécia
2o
93.1
49.873 (US$)
(9.2)
Noruega
3o
93.1
82.465 (US$)
(8.6)
Finlândia
4o
91.4
46.371 (US$)
(8.9)
Costa Rica
5o
90.5
5.801 (US$)
(5.3)
Colômbia
9o
88.3
3.648 (US$)
(3.7)
Canadá
12o
86.6
43.368 (US$)
(8.7)
Japão
21o
84.5
34.225 (US$)
(7.7)
Equador
22o
84.4
3.328 (US$)
(2.2)
Rússia
28o
83.9
9.050 (US$)
(2.2)
Chile
29o
83.4
9.854 (US$)
(6.7)
Brasil
34o
82.7
6.852 (US$)
(3.7)
Argentina
38o
81.8
6.636 (US$)
(2.9)
Estados Unidos
39o
81.0
45.047 (US$)
(7.5)
México
47o
79.8
8.386 (US$)
(3.3)
Turquia
72o
75.9
6.511 (US$)
(4.4)
África do Sul
97o
69.0
5.826 (US$)
(4.7)
Índia
120o
60.3
976 (US$)
(3.4)
Fonte: EPI (2008), Transparência Internacional (2009), IBGE (2007)
É interessante observar que, dentre os países denominados emergentes, o Brasil (82.7) têm desempenho superior a México (79.8), Turquia (75.9), África do Sul (69.0) e Índia (60.3). O desempenho ambiental brasileiro, dentre os denominados países emergentes como o México, a Turquia, África do Sul e a Índia, é o mais significativo, com exceção do desempenho ambiental russo (83.9). É interessante, também, observar que existe uma forte correlação entre o PIB per capita e o maior desempenho ambiental dos países, configurando que um PIB per capita de 10.000 dólares ou mais indica um maior desempenho ambiental do país, com a notável exceção da Costa Rica e Colômbia dentre os 10 primeiros países no ranking de desempenho ambiental.
De toda forma, é interessante realmente pensar o quadro geral apresentado. É necessário que o PIB per capita atinja ao menos 10.000 (US$) para que um país tenha um desempenho ambiental adequado na conservação de seus bens e uso sustentável de serviços ecossistêmicos? Aparentemente não, mas acredito que somar maior desempenho econômico e nível educacional à gestão pública eficiente e transparente possibilita maior controle social sobre os rumos das políticas públicas relativas aos bens e serviços ecossistêmicos. Parte do objetivo da minha tese de doutorado  justamente observar esse quadro. E num futuro pós doutorado, quero avaliar realmente de forma detida e comparada esse cenário de países emergentes, especialmente.