Trabalhei na minha tese de doutorado em Ciência Política com alguns dispositivos conceituais teóricos e metodológicos oriundos da Economia Ecológica. E um deles, especialmente, foi incorporado e operacionalizado para o debate no campo das Políticas Públicas: a curva ambiental de Kuznets. 
Ao se analisar o trade-off entre crescimento e poluição, alguns trabalhos apontaram uma relação não-linear entre os dois fatores. Em alguns casos, as análises de regressão geraram curvas em formato U invertido. A interpretação derivada apontou que, realmente, a poluição acompanha, inicialmente, o crescimento do produção nacional, configurando um “efeito renda”, entretanto, ao se atingir determinado nível de renda, a qualidade ambiental começa a crescer de forma paralela ao PIB per capita, configurando esse comportamento econômico na denominada Curva Ambiental de Kuznets. 
Embora não fosse o foco da tese de doutorado, esse debate em torno de uma associação imediata entre crescimento econômico e desenvolvimento e uma consequente perda de qualidade ambiental me é bastante questionável (e economistas de peso também tem sérias ressalvas, como Amartya Sen e Herman Daly). E digo isso porque uma série de políticas desastrosas no Brasil (do ponto de vista social e ambiental e mesmo do ponto de vista da eficiência econômica) continuam a ser alimentadas e retroalimentadas. E de imediato tenho de dizer que o novo Código Florestal e a Usina de Belo Monte se tornaram os casos mais notórios.
A justificativa de parlamentares brasileiros e do governo Federal é que Belo Monte, por exemplo, tornou-se um projeto de impacto sócio-ambiental reduzido. O que é mentira.
De acordo com reportagem da Folha:
A ausência de transparência é outro problema (relacionado aos acordos de indenização aos ribeirinhos, etc) que foi noticiada pela Folha: 
Tal cenário me permite perceber que, de certa forma, não apenas o Brasil, mas a maioria das maiores economias emergentes (que tomam parte do G-20) segue por um modelo de desenvolvimento que privilegia a alta emissão de carbono na atmosfera (o governo indiano já admitiu oficialmente que continuará a estimular uma economia de alto carbono para se desenvolver), investe de forma excêntrica na extração de recursos não-renováveis (como o Pré – Sal) e não contabiliza os ativos ambientais (poucos bens e serviços ecossistêmicos são precificados de forma correta e quando são). Esses indicativos me fazem perceber que superar esse trade-off entre crescimento e degradação é, do ponto de vista político, um verdadeiro suplício.É uma pena. Ainda que possam existir medidas que busquem reduzir a intensidade de carbono no PIB de economias desenvolvidas e emergentes, a necessidade de uma mudança realmente paradigmática atinge não apenas os escalões governamentais e também das indústrias, mas também do consumidor, que na maior parte das economias emergentes e desenvolvidas, também é eleitor. 
O trade-off entre crescimento e degradação ambiental, nesse sentido, é mais assustador na imposição de uma escolha. E há escolha?