Esta 66ª Assembleia Geral da ONU, realizada na data de 21 de Setembro de 2011 deve ser marcada por duas situações particularmente importantes: a abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU pela Presidenta do Brasil – Dilma Rousseff – e pelo reconhecimento – por parte de muitos países membros da ONU – do Estado Palestino (ainda que os “imparciais” EUA vetem no Conselho de Segurança a admissão do Estado Palestino na ONU).
Mas é quanto ao primeiro aspecto – de ser a primeira vez que uma mulher abre uma Assembléia da ONU – que quero discorrer um pouco. E reconhecer a importância política deste fato. E situa-lo num momento político no qual as mulheres galgam cada vez mais espaço político e ampliam suas capacidades decisórias. Só a eleição de uma Presidenta para o Brasil – país com acentuados aspectos machistas na sua micro e macrosociologia – é um feito para se comemorar. E mais ainda o fato de que na campanha para a Presidência em 2010 não houve, em momento algum de suma importância, quem dissesse que Dilma Rousseff ou Marina Silva – por serem mulheres – não detinham capacidade de governar o Brasil. E isso é parte de uma mudança e tanto na conjuntura política brasileira.
E o papel das mulheres no espaço político é fundamental. E a Presidenta Dilma Rousseff ressaltou esse importante aspecto na 66ª Assembleia Geral da ONU: “Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna, que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.”

Realmente, é uma importante voz da democracia e da igualdade que se faz presente na mais importante instituição internacional. E o tom de seu discurso foi representativo, mas também pessoal: “Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje”.
É claro que muita, mas muita coisa precisa avançar. A representatividade feminina é baixa, em perspectiva mundial, ao se comparar os dados de eleitorado masculino/feminino. Ainda que existam mecanismos para incrementar a participação política feminina no Brasil – como a Lei das Cotas – Lei 9.100/95 – (mais uma legítima conquista do movimento feminista) Um excelente artigo sobre a dificil representatividade política feminina pode ser lido bastando clicar aqui.
De qualquer forma, os avanços são nítidos, mas muito existe, ainda, por ser feito. Mas sou um otimista quanto a isto. E pretendo continuar a ser. E ficam meus parabéns a todas as mulheres e homens que possibilitaram a uma mulher brasileira ser a primeira a abrir a 66ª Assembleia Geral da ONU. E abaixo, para quem se interessar, o discurso da Presidenta Dilma Rousseff.