Apesar do acúmulo de informações e interesse dos mais diferentes setores, que vão de comunidades indígenas e tradicionais até empresários, na utilização do REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal) como um importante caminho para o desenvolvimento de uma política de baixo carbono na Amazônia, faltam mecanismos financeiros que impulsionem sua implantação na escala necessária. Discutir possibilidades de financiamento para manutenção de florestas e instrumentos financeiros voltados à REDD+ foi a proposta do workshop “Diálogos sobre investimento em REDD+”, realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), no último dia 11 de agosto, em Brasília.

O evento, que contou com apoio dos ministérios da Fazenda, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, teve a participação de cerca de 50 convidados governamentais, de empresas e de organizações ligadas ao tema, como o Observatório do Clima e o Observatório de REDD. O workshop contou com apresentações de especialistas do país, como Ronaldo Seroa, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Brenda Brito, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon); e Paulo Moutinho, do IPAM; e do exterior, como David Tepper, do Forest Trends; do investidor Eric Bettelheim e Charlie Parker, do Global Canopy Programme.

meio ambienteVivemos um contexto onde há dinheiro público voltado para REDD e desenvolvimento de economia de baixo carbono, através do Fundo Amazônia e do programa ABC, entre outras fontes públicas, mas há pouco dinheiro entrando em programas de REDD do setor privado”, disse Daniel Nepstad, coordenador do Programa Internacional do IPAM.

Segundo Nepstad, “o Brasil está em um momento de transição, com o governo federal ainda definindo o regime nacional de REDD”. Para David Tepper, do Forest Trends, o setor privado tem interesse em investir em REDD, “mas precisa saber exatamente as regras e achar que elas não vão mudar”. O investidor potencial em títulos de REDD podem tanto ser investidores aventureiros, em busca de diversificação e altos ganhos, como aqueles que querem aliar a possibilidade de investimento ao serviço ambiental embutido no negócio, como fundos de pensão e outros governos. Durante o evento, várias possibilidades de formatação para esses títulos foram discutidas, embora nenhuma delas ainda tenha sido testada na prática.

Para Eric Bettelheim, 46% das reduções de emissões globais podem vir da redução das emissões de florestas e agricultura nos trópicos. Para ele, o Brasil pode ficar com 80% do valor dessas reduções em um mercado de carbono. Para o investidor, o problema é que, “no Brasil, o desmatamento é combatido apenas pelo setor público e é vulnerável ao crescimento do preço de commodities. Depende do Brasil tomar vantagem da oportunidade de se tornar maior provedor do clima no mundo. Se o fizer, pode ser um dos três grandes atores no tema e ganhar bilhões de dólares”, disse.

Atualmente, o governo brasileiro discute uma estratégia nacional de REDD, que promete anunciar até a Rio+20, em junho do próximo ano. A norma nacional é fundamental para dar segurança aos investidos e alavancar o já existente, porém ainda incipiente, mercado de REDD no país.
Fonte: IPAM