Para responder a essa pergunta do post, é importante recapitular algumas semanas e, principalmente, a série de protestos sociais em Israel por causa da política econômica, da altissima concentração de renda existente no país, elevação dos preços relativos aos aluguéis no país, etc. E sabem um dos motivos de revolta por parte dos israelenses? Algo muito comum aos EUA e que o Presidente Barack Obama tentou, aparentemente inutilmente, modificar recentemente: impostos menores para pessoas de maior renda e empresas. Algo que, em minha opinião, é inviável (impostos menores para os mais ricos sempre foi inviável) para a manutenção de uma economia saudável e mesmo para um equilíbrio socialmente saudável.

Diante de um cenário político conservador como o conduzido pelo Governo de B. Netanyahu, uma mobilização social pequena, mas que cresceu enormente durante os meses de Julho e ate Agosto, começou a desencadear temores e mais temores políticos na coalizão de Direita que forma o Gabinete de Netanyahu. Sabem quem está participando ativamente dessa mobilização? Estudantes e jovens famílias que estão acampados nas cidades em protesto.
A preocupação política da coalizão de Direita tem sua razão. O governo de Netanyahu não tem política social para Israel. E, crentes numa espécie de indutivismo ingênuo, acreditam que apenas o “Livre-Mercado” pode oferecer alternativas econômicas ao país. E isto é um erro crasso. O governo israelense, pressionado, tentou mostrar real interesse pelas demandas sociais dos israelenses. 
Segundo o Estadão: “Netanyahu nomeou uma equipe de especialista para analisar possíveis reformas. Mas ele e as autoridades financeiras do país estão cautelosos sobre qualquer aumento nos gastos do governo, preocupados com os indicadores de que a economia está enfraquecendo, em parte por conta da crise financeira global.” 

Não senti muita “firmeza” nessa declaração. Na verdade, a habilidade política e econômica para promover a incorporação das demandas sociais tende a ser muito baixa – justamente pelo perfil do Gabinete de  Netanyahu. Mas convenhamos, governos de Direita não se comportam politicamente de forma a considerar importantes demandas sociais. O que fazem para responder a essa demanda? Criam situações de insegurança. E em Israel é muito fácil, lamentavelmente, de conseguir isto. É só “estimular” ou falsear um ataque palestino que toda a atenção política voltada às demandas sociais é redirecionada ao sempre presente conflito entre Israel e Palestina.
Por fim, toda a legitimidade dos protestos populares em Israel – que também varrem o Oriente Médio e a Europa e a Índia, por motivos que até podem variar um pouco, mas mantém um centro em comum que é a maior participação popular e fomento de políticas econômicas socialmente responsivas e maior controle social e institucional contra a corrupção – perde seu foco devido ao conflito presente com palestinos. E, lamentavelmente, isso aconteceu. Como consequência da retomada intensa dos conflitos: “Haveria protestos ao longo do país, com uma manifestação central em Jerusalém, e decidimos cancelá-los devido aos ocorridos”, disse o líder do sindicato Itzik Shmueli à Rádio do Exército depois de três ataques perto da fronteira de Israel com o Egito.”
Eu, particularmente, não acredito que esses protestos terão a mesma intensidade. Essa retomada dos conflitos soa como um breque nas mobilizações. Mas ao menos a demanda foi certeira. O Gabinete de  Netanyahu não têm como “apagar” as mobilizações. E, institucionalmente, muitas das demandas já atingiram políticamente o governo. Lamentavelmente, as atenções políticas e sociais se voltaram ao conflito com os palestinos e o pior é que, na minha opinião, esses ataques surgiram no melhor momento político possível e desviaram a atenção midiática das demandas sociais para o – reforço – sempre presente conflito entre Israel e Palestina.