Embora existam outros índices para avaliação da sustentabilidade ambiental de um país, como a Pegada Ecológica (do inglês Ecological Footprint) ou o Índice de Desenvolvimento Sustentável ou ESI (do inglês Environmental Sustainability Index) entre outros. Para esse post no Poliarquias pretendo apresentar (aos que ainda não conhecem) o Índice de Desempenho Ambiental ou Environmental Performance Index, um excelente recurso metodológico para pesquisadores e pesquisadoras das áreas de Políticas Públicas Ambientais, Economia Ecológica, Gestão Ambiental, etc. No caso, já venho utilizando esse índice em estudos comparados que venho realizando em paralelo ao trabalho com minha tese de doutoramento.
Quadro Comparativo de Desempenho Ambiental
O IDA, como recurso metodológico para a avaliação das políticas públicas ambientais, é um método para quantificar e classificar numericamente o desempenho ambiental das políticas de um país. Como conseqüência, o Índice de Desempenho Ambiental têm consistência metodológica para avaliação comparada de desempenho ambiental.
Desempenho Ambiental e Renda Per Capita: uma forte correlação
O IDA compõe-se de uma série de 25 indicadores, cujo método empregado para efeito de cálculo foi o de uma meta aproximada. Por exemplo, o indicador de emissões per capita é definido a partir de uma meta estabelecida para o mesmo, fundamentado em indicadores de natureza quantitativa para mensurá-lo e, assim, calcula-se a distância existente entre, de um lado, o cenário efetivamente mensurado em dado país e, do outro lado, a meta anteriormente estabelecida. Considera-se que o IDA tenha uma vantagem considerável do ponto de vista da formulação e da avaliação de políticas públicas: dada a análise de cada respectivo indicador, seria possível a fixação de metas anuais com o objetivo de atingir um índice de desempenho em cada dado indicador.




Como conseqüência, a operacionalização do IDA forneceria o desenvolvimento de um mosaico de ações, cujas metas quantitativas possibilitariam a um país atingir um elevado número de pontos (85 pontos, por exemplo, sendo 100 a pontuação máxima e 0 o correspondente mínimo ) no índice agregado de desempenho ambiental ou 85% de realização da meta de desempenho ambiental almejada em um relativo período de tempo. Desta forma, como ressaltaram os criadores do IDA (EPI, 2008), as políticas públicas ambientais deteriam indicadores mais transparentes, técnicos e quantitativos, para efeito de avaliação do desempenho ambiental específico de cada ação, possibilitando a produção de informação e dados e, indubitavelmente, resultados gerais, permitindo um quadro de fixação de metas de desempenho. O IDA, demonstrando metas de desempenho ambiental claramente definidas, possibilita uma mensuração adequada para efeitos de políticas públicas mais consistentes.
Indicadores agregados do Índice de Desempenho Ambiental

O desenho operacional do IDA possui uma configuração inicial que envolve o cálculo de indicadores ambientais em oito cenários fundamentais das políticas públicas ambientais: (i) efeito do ambiente nas doenças; (ii) água potável e saneamento; (iii) qualidade do ar na saúde; (iv) poluição do ar em ecossistemas; (v) recursos hídricos; (vi) biodiversidade e habitat; (v) recursos florestais; (vi) recursos pesqueiros; (vii) recursos agrícolas; (viii) mudança do clima. Agregam-se os oito cenários fundamentais das políticas públicas ambientais em torno dos dois macro-objetivos políticos, (1) Saúde Ambiental e (2) Vitalidade dos Ecossistemas, gerando, por fim, com a média desses dois grupos de indicadores, o IDA. O índice, como recurso quantitativo, foi desenvolvido com o intuito de avaliar a sustentabilidade relativa entre os países. Os 25 indicadores que compõem o IDA, dentro dos objetivos políticos de Saúde Ambiental e Vitalidade dos Ecossistemas, possuem suas diretrizes a partir de metas adotadas em regimes ambientais internacionais e/ou por consenso científico, possibilitando uma constância entre países, o que se configura fundamental para a credibilidade e aceitação do IDA como recurso no processo decisório de políticas públicas ambientais.