Quando assisti “A Corporação” fiquei impressionado com algumas questões que moveram a produção do documentário e a proposta que fazia ao telespectador: como chegamos ao ponto de entregar nossas vidas particulares e comunitárias às Corporações? Que Leviatã é este que atua sobre a vida de todos nós e, pior, que atua de forma quase invisível sobre o destino de políticas públicas e na criação de monopólios setoriais e, trocando em miúdos, sobre o destino de milhões e milhões de pessoas? E nem é preciso ser um leitor voraz de Marx para pensar desta forma. Adam Smith já alertava sobre esse risco, basta ler com atenção “A Riqueza das Nações”.
O Documentário “A Corporação” (e o livro “A Corporação” de Joel Bakan) fornece um mapa para que avaliemos esse espaço concedido às Corporações e como as mesmas não tem rosto, não tem caráter, mas possui milhares de tentáculos que atuam de forma a sugar o máximo possível das pessoas. Financiam a imprensa e não admitem reportagens contrárias aos seus interesses, principalmente aquelas que apontam irregularidades ambientais. Estimulam, através de financiamento de campanhas políticas, parlamentares a propor leis que desregulamentem ao máximo as atividades econômicas e que privatizem ao máximo. As Corporações atuam de forma psicopática, é uma avaliação contida no documentário. E concordo. Mas nem sempre as Corporações com visões limitadas dirigidas por executivos distantes das realidades locais nas quais as políticas empresariais atingem de forma direta o bem-estar de comunidades inteiras conseguem lograr êxito. O caso da “Guerra da Água” em Cochabamba, na Bolívia, (uma vitória dos movimentos sociais locais) ilustra bem a alternativa de luta por direitos sociais sobre os direitos “econômicos” de Corporações. Caso você, leitor e leitora do Poliarquias, não tenha ainda assistido a essa produção, vou deixar os vídeos, alocados no Youtube, disponibilizados aqui no Poliarquias. Boa reflexão!