Informação, cada vez mais, vale muito nos chamados “mercados”. E não é diferente com governos. Talvez tão importante quanto. E a grande diferença é que se tratando de corrupção, promover denúncias é promover bens imateriais públicos. Afinal, milhões e milhões de dólares públicos (tomando o dólar como moeda referencial na contabilização de renda per capita, por exemplo) são desviados para fins privados e quando somamos a corrpução e a gestão pública ineficiente ocorre um verdadeiro pesadelo aos milhares e milhares de contribuintes-cidadãos. 
A corrupção foi considerada, pelo governo sul-coreano, como endêmica. E, pelo teor das palavras do Presidente Lee Myung-bak, a dificuldade de se livrar dessa prática nefasta não é nada fácil pela horizontalidade que atinge, ou seja, em diversas camadas sociais e políticas do país: “Essa prática é algo endêmico não apenas nas organizações que supervisionam as organizações financeiras, mas também em outros setores da sociedade, do Judiciário, Receita e Defesa até os serviços civis”, disse Lee em seu programa bisemanal de rádio.”
A corrupção endêmica, entretanto, não é exclusividade sul-coreana. A Transparência Internacional edita há vários anos um relatório que aponta um quadro de países com maior ou menor corrupção. A metodologia para mensurar a corrupção ocorre através do Índice de Percepção de Corrupção.O Índice de Percepção da Corrupção classifica países de acordo com a percepção da corrupção no setor público. Trata-se de um indicador agregado, que combina diferentes fontes de informações sobre corrupção. Para a mensuração da corrupção e de políticas anti-corrupção empregadas pelos governos orientam-se em diferentes avaliações e pesquisas de opinião de negócios realizadas por peritos independentes (especializados em estatística, econometria e ciência política) e por dados quantitativos extraídos de instituições como o Fórum Econômico Mundial e o Banco Mundial entre outros. Embora tenha méritos, como a exigência de três fontes de pesquisa independentes para avaliaçãode um país, o Índice de Percepção de Corrupção situa-se mais como um indicador de cenário do que, necessariamente, um índice seguro para avaliação, embora, ressalto, seja um importante instrumento para controle social das instituições e políticas públicas de um país. 
 
Em geral, países com maior renda per capita tem um desempenho em corrupção menor. No gráfico abaixo posicionado é possível observar essa correlação positiva ao se comparar o Brasil (quadrados róseos) e Chile (quadrados azul oceano).
Fonte: Extraído do Mare Solitude
Neste gráfico a reta vermelha significa a aproximação linear dos dados, enquanto a seta horizontal é a média da renda per capita em dólares (U$ 10.675,04) para as amostras, já a seta vertical representa a média do Índice de Percepção de Corrupção – (4.0333). E é possível observar a distância significativa de índices comparados entre Brasil e Chile. Um ponto interessante é que todas as amostras com renda per capita significativamente mais elevada encontram-se acima da média da corrupção.De forma ampla, os países da América Latina ainda tem muito a avançar no combate a corrupção, como pode ser observado neste outro gráfico.
Segundo a Contas Abertas:

Pelo terceiro ano seguido, os mais pontuados no IPC são a Nova Zelândia e a Dinamarca, com 9,3 pontos, além de Cingapura, que também divide a primeira posição no ranking. Estes resultados, segundo a TI, refletem a estabilidade política e o funcionamento das instituições públicas. Do outro lado, Somália, com uma pontuação de 1,1, Afeganistão e Mianmar, ambos com 1,4, ocupam as últimas posições. Os resultados, segundo a organização internacional, demonstram que países que são percebidos como os mais corruptos são também os atormentados por conflitos de longa data, que têm destruído a infraestrutura de governança.
Entre os países latino-americanos, o Brasil aparece em 6º lugar, a frente do Chile, Uruguai, Porto Rico, Costa Rica e República Dominicana. Canadá e Barbados lideram o ranking das Américas, enquanto o Haiti, Paraguai e a Venezuela aparecem em último lugar. 

 A tabela baixo apresenta um panorama do desempenho brasileiro no Índice de Percepção de Corrupção. E não é das melhores, embora o desempenho tenha melhorado, sinal indireto que as instituições controladoras como Tribunais de Contas e Ministérios Públicos e fiscalizadoras como a Imprensa e Organizações Não-Governamentais vem atuando sistemáticamente no país.

Índice de Percepção de Corrupção – Brasil
Ano        Nota        Posição no Ranking
1995       2,70 –
1996       2,96             40ª (de 54)
1997       3,56             36ª (de 52)
1998       4,00             46ª (de 85)
1999       4,10             45ª (de 99)
2000      3,90              49ª (de 90)
2001      4,00              46ª (de 91)
2002      4,00              45ª (de 102)
2003      3,90              54ª (de 133)
2004      3,90              59ª (de 145)
2005      3,70              62ª (de 158)
2006      3,30              70ª (de 163)
2007      3,50              72ª (de 179)
2008      3,50              80ª (de 180)
2009      3,70              75ª (de 180)
2010      3,70              69ª (de178)
Média    3,89              63ª
Fonte: Transparency International

O Brasil vem mantendo um desempenho médio, com intervalos de maior ou menor intensidade de desempenho positivo no Índice de Percepção de Corrupção. Entretanto, episódios políticos recentes como a medida provisória aprovada pela Câmara que mantém em sigilo orçamentos de obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 dificultam ainda mais a transparência necessária para se avançar no combate a corrupção no Brasil.
E para encerrar o post, uma notícia primorosa, sem aspas mesmo: hackers da Lulz Sec e da Anonymous decidiram rastrear práticas corruptas em governos e empresas multinacionais. Interessantíssimo. Deve ter muita gente graúda no mundo com muito medo do que pode vir a ser descoberto. Melhor que seja. A notícia na íntegra segue abaixo.

Lulz Sec e Anonymous anunciam aliança

  • 21 de junho de 2011|
  • 14h42|
Por Agências
▪▪▪ Unidos pela operação Anti-Security, a aliança tem o objetivo de invadir governos e bancos atrás de indícios de corrupção
LOS ANGELES – Os grupos LulzSec e Anonymous uniram forças para por em marcha uma série de ataques contra páginas governamentais e de bancos, a fim de desviar informações confidenciais, publicou hoje o jornal Los Angeles Times.

A chamada Operation Anti-Security nasceu com o objetivo de descobrir atos de corrupção. Os dois grupos são responsáveis por ataques à Nintendo, Sony, FBI, CIA e páginas de governos como o do Egito, Argélia, Líbia, Irã, Chile, Colômbia e Malásia.
A série de ataques estão encabeçados pelo LulzSec, segundo assumiu o próprio grupo, que explicou que o Anonymous fazia parte do projeto.
“Ouvimos que nossos irmãos do Anonymous estão fazendo progressos com o ‘AntiSec’, também temos informações de muitos grupos hackers se unindo”, escreveu o LulzSec nesta segunda-feira, 20, pelo Twitter.
/ EFE