Adam Przeworski posiciona-se analiticamente, grosso modo, em torno de um modelo que prima a democracia de procedência minimalista schumpteriana e de cunho popperiano. Sua defesa essencial de uma democracia minimalista se efetua na perspectiva de que, para Przeworski, a democracia funcionaria fundamentalmente como um sistema no qual a competição eleitoral é de suma importância, visando à obtenção de cargos públicos. 
Cavanhaque de “El Pistolero”da Ciência Política

Suma importância, digo, devido a democracia ser percebida como método, situação oposta a democracia abordada de forma normativa/substancialista, substancialmente coadunada na esfera de debate clássica de teoria democrática, baseada em pressupostos como o interesse comum.

Essas questões serão trabalhadas pelo autor em contínua interface com outros teóricos, inserindo pontos ancorados a favor de um (Rousseau e sua percepção da existência do interesse comum e de sua coadunação democrática) ou contra (Marx e sua perspectiva de que os interesses de classe não permitem um interesse comum) essas duas prerrogativas. Essa distinção de abordagem é ancorada de maneira contenciosa, já que, para o autor, existe uma confusão sobre determinações normativas em um sistema político e os critérios que definiriam uma democracia. É interessante observar que para o autor, ancorado em Popper, a democracia premia a resolução pacífica entre as forças políticas, já que o sistema democrático permite a alternância do poder “sem derramamento de sangue” para se desfazer algum governo.  

Desta forma, o resultado do pleito eleitoral é carregado de incerteza (mas não necessariamente imprevisibilidade) e um corpo político que se configura como oposição em um momento, em outro pode arregimentar legitimamente o governo por meio de vitória eleitoral, promovendo uma continuidade democrática por meio da periodicidade eleitoral e respeito ao “vencedor do jogo”.  
Escolher alguns números na urna eletrônica não significa representatividade

Entretanto, o autor assevera em sua reflexão sobre teoria democrática, que eleições não levam, necessariamente, a governos representativos, decisões igualitárias ou mesmo a racionalidade das decisões políticas, o que não quer dizer que seja uma deformidade no método da democracia, mas sim da composição fundamental de interesses. E por essa última, ainda, em especial, Przeworski afirmará, por meio de uma reflexão amparada na comparação com o pensamento democrático clássico, questionando suas premissas dentro de um padrão no qual busca a aplicabilidade democrática e não a esfera do “dever ser”. 

Todavia, sua esfera de críticas abrange outros pontos, como a Teoria do Júri de Condorcet, que leva em questão uma racionalidade democrática, diferentemente de Przeworski, e essa diferenciação efetua-se na abordagem que o autor minimalista compreende sobre agregação de interesses e agregação de votos.
Para Przeworski, primeiramente, a analogia de eleitorado com um júri é falha, falha no sentido de não levar em consideração o fator interdependência e que a cooperação entre os atores seja coercitivamente forçada, por exemplo. Para o autor, o voto é configurado dentro de um quadro de agregação de preferência, elegendo, a posteriori, o governo e também abrindo margem para a punição desse governo se o mesmo não contemplar efetivamente os interesses dos representados.
É interessante ligar esse aspecto do debate do autor ao momento que irá discorrer sobre representação. Essa conjuntura textual trará, no escopo de sua reflexão sobre representatividade, três pontos fundamentais em sua abordagem minimalista: o cidadão político, o político burocrata e o modelo principal agente.
Przeworski também afirmará que nessa busca por um melhor governo representativo, existiriam algumas formas de se perceber a representatividade desse governo: a) se esse governo contempla os interesses da maioria dos representados, ao menos; b) se esse governo sendo reeleito configura-se dentro de um quadro de avaliação positiva e, c) quanto a observações especializadas sobre esse governo.
Nesses aspectos a avaliação do governo se incide e possibilita sua extração e inserção de um novo. Interessante, então, trazer um ponto que o autor busca asseverar em seu texto: a legitimidade. Para ele, a “simples escolha” de representantes não trará consigo, como prerrogativa, nem igualdade, nem representação efetiva e muito menos racionalidade. Mas ao menos trará legitimidade, diferentemente se os governantes fossem escolhidos, por exemplo, por meio de sorteios.
           
Referência Bibliográfica
PRZEWORSKI, Adam. (1999). Minimalist Conception of Democracy: a defense. Págs.23-55.