Quando o palhaço Tiririca foi eleito fiquei inconformado. Nada me convencia que sua eleição não era uma afronta ao espírito público e a atuação parlamentar. O mais terrível era, querendo ou não, se deparar com suas palhaçadas custeadas com dinheiro público no Horário Eleitoral que de gratuito não tem nada. Candidato a Deputado Federal pelo Estado de São Paulo, o palhaço nem ao menos sabia o que fazia um deputado: “Você sabe o que um deputado federal faz? Nem eu, mas vota em mim que eu te conto.” 
Esse bordão infeliz me deixou muito, mas muito emputecido. Emputecido pelas falhas institucionais, políticas e jurídicas que permitem que alguém se torne parlamentar sem ao menos saber que atividade exatamente um deputado realiza na Câmara Federal. E Tiririca, aparentemente, vendeu o peixe como se realmente não soubesse o que faz um Deputado. 
Ah, quão bem enganado eu fui. É claro que o agora Deputado Tiririca sabia muito bem o que fazia e deixava de fazer um deputado. Além de seu analfabetismo funcional berrante, o Deputado Tiririca também mostrou-se um excelente mentiroso. E por que digo isso? Porque em menos de um ano o Deputado Palhaço já sabe muito bem como pedir reembolso por suas “atividades políticas fundamentais”. Sabe em que lugar? Há! Num resort em Fortaleza (CE), capital de seu Estado natal, que fica a 3 mil quilômetros de sua base eleitoral. 
O olhar perdido…”o que estou fazendo aqui mesmo?”
 Claro, o Deputado Palhaço tem sua base eleitoral em São Paulo e foi para Fortaleza, Ceará, tomar água de coco e comer lagosta na beira mar com a melhor das intenções de descobrir o que faz um deputado: O gerente do resort, Décio Girão, confirmou ao Estado a presença de Tiririca como hóspede há cerca de duas semanas. A diária do hotel custa, no mínimo, R$ 165 – a despesa com hospedagem ficou em R$ 660. Mas é claro que ele já sabia, desde antes, o que fazia um deputado: aproveitar dos recursos públicos de maneira a enriquecer, criar redes de poder para abastecer seus cofres particulares e propor Projetos de Lei que instituam o “Dia da Palhaça”, “Dia do Doce de Leite”, etc. Projetos de Lei muito mais fundamentais para o Brasil do que quaisquer outros. O Palhaço Tiririca sabia muito bem que tipo exato de deputado seria e o que esse deputado fazia. E, melhor que tudo, ele queria fazer igual, porque acreditou, como tantos outros deputados e senadores da República, que a vida pública é uma grande brincadeira que abastece seus prazeres litorâneos e enriquece suas contas bancárias para fins de “articulação política” em seus domicílios eleitorais.
O Deputado Palhaço Tiririca é um exemplo para muitos de seus colegas. E um exemplo ruim, naturalmente. O Deputado Palhaço Tiririca mostrou-se, realmente, estar caminhando a passos de gênio no traquejo e esquemas vantajosos e nobres da vida parlamentar que muitos seguem destemidos e afoitos para manter. Uma reforma política é urgente e o que o Parlamento brasileiro apresenta é um esquema torto e que muda, na base, apenas a certeza de que o fisiologismo, entre outras mazelas políticas, continuará a todo vapor, com partidos políticos cada vez mais fragilizados e baixíssima transparência institucional-política. E diante de uma escola de desprezo pela sociedade civil na qual que matriculou-se o Deputado Palhaço Tiririca, verdade seja dita, o que importa e quem se importa?