A Política Comparada possui um dos campos metodológicos mais estáveis dentro da Ciência Política. Essa estabilidade deveu-se, na minha opinião, em muito graças ao rigor metodológico quantitativo, embora reconheça que os fundamentos qualitativos e, claro, dos métodos mistos também tenham sido, ao longo dos últimos vinte anos, essenciais para o amadurecimento do campo, ainda que algumas amarras metodológicas venham sendo destravadas e, acredito, continuarão a ser por um bom tempo. 
E para avaliar comparativamente políticas públicas, @ pesquisad@r precisa, diria o Filósofo Faustão, “se virar nos trinta”, preocupando-se na absorção de teorias elegantes, em elaborar claramente sua hipótese de trabalho (e buscar falsea-la – grande Popper!), ter claramente em mente qual seria sua variável dependente e suas variáveis independentes e, tão importante quanto todo o restante anteriormente dito: não ter preguiça de investigar. Afinal, o objeto de pesquisa, seu tema e etc, não brotam do chão e nem de árvores e muito menos cai do céu tal qual o maná. Tem de suar.
E a parte metodológica é, provavelmente, a que mete mais medo em jovens pesquisadores (e muita gente das antigas também que até escanteiam a questão). Um ponto importante, acredito, é que a pós graduação, mas também os cursos de graduação nos mais amplos campos do conhecimento, devem investir pesadamente em metodologia, através de cursos, workshops, seminários, etc.
O que me faz pensar, claro, na estruturação de bons trabalhos científicos comparativos. E para isto, claro, a base metodológica é fundamental.
Definitivamente, a comparação enquanto um método de controle de generalizações, cujo objetivo, é possível dizer, configura a formulação de um arcabouço teórico explicativo empiricamente falseável: comparar implica assimilar e diferenciar nos limites. As comparações que interessam observam os atributos entre entidades que possuem atributos totais compartilhados e não compartilhados em parte.Uma forma de controlar a comparação é trabalhar com índices e indicadores. O objetivo é simples: fica mais fácil dimensionar a concordância e a discordância, algo que Stuart Mill já dizia lá no século XIX. 
Um indicador pode ser um dado individual ou um agregado de informações. Quanto a um índice (um valor numérico), o mesmo revela o estado de um sistema ou fenômeno, possuindo, de certa forma, o mesmo significado. Portanto, o uso de indicadores é operacional quando dispostos como interpretações que auxiliam na disposição de uma dada questão.
Para seguir a orientação analítica de Lijphart sobre o campo da Política Comparada, dois métodos comparativos podem ser identificados nesse quadro: (i) o primeiro seria o método comparativo de casos semelhantes e (ii) o método de replicação em graus diversificados para a promoção de descobertas comparáveis. Considero importante ressaltar que a política comparada, ainda que com dificuldades metodológicas, “sobreviveu” muito mais devido ao seu método comparativo do que, necessariamente, pelo seu conteúdo, abordando comparativamente diversos países. 
Estou dizendo tudo isso porque venho acalentando, com muito carinho, a vontade de fazer um pós doutorado em Política Comparada, entretanto, correlacionando o campo comparativo a partir da Economia Ecológica. Ou seria o contrário? É, realmente seria o contrário. E faria um bem danado, ainda mais se o Caribe for próximo.