Eu acho muito engraçado esses tais de workaholics. Quando era mais guri, achava que workaholic era alguma espécie de orc do Senhor dos Anéis. Quando cresci descobri que não estava de errado totalmente. Estou dizendo isto porque me sinto, boa parte do ano, uma espécie de workaholic. Mas um workaholic degenerado, deixa-se claro. Estou neste momento de férias. No meu bom e velho cerrado matogrossense. E mais ainda: tomando um chopp. Workaholic que é bom workaholic não pára para tirar férias. E muito menos fazer o que estou fazendo: lendo muito gibi, lendo ficção (estou maravilhado com o livro A Guerra dos Tronos e vou escrever, durante as férias, uma resenha aqui para o Poliarquias), jogando conversa fora e bebendo choppp escuro com muito gosto. A música que toca ao ao meu lado é péssima porque o cantor é pessimo, mas tudo bem.
No canto esquerdo, Mon Mothma, no centro Prof. Marcos Lima e, por fim, nosotros apresentando durante a ABCP em Recife.
Como ia dizendo, sou um workaholic degenerado. Não estou, neste momento e mesmo durante o ano, totalmente voltado ao trabalho. Mas que me embrenho nas paisagens psiquicas do trabalho, isso é verdade. Só neste ano publiquei quatro artigos, participei dos maiores congressos da área da Ciência Política e ainda entreguei a agência que financia meu doutorado um catatau de relatório científico, além de ter lido trocentos livros sobre Políticas Públicas, Teoria Democrática, Política Comparada, Economia Ecológica, Metodologia Científica e etc. Além, claro, de ter lecionado e orientado trabalhos de monografia e reuniões de grupos de pesquisa. Muita, muita coisa, podem ter certeza.
Mas nestas férias quero que tudo isso vá pastar. Estou de férias mesmo. Só consigo visualizar-me tomando chopp escuro e lendo gibi. Putz, to com o Sandman Absolute aqui em minha bolsa. Pronto para ser devorado enquanto tomo este chopp escuro. Não tenho certeza de que todo workaholic é nerd, mas tenho certeza de que todo nerd é workaholic. É meio filosófico e não gosto de filosofar, a não ser no banheiro enquanto estou sentado no trono, tal qual um Imperador.
Férias é bom demais, será melhor ainda quando for para Chaps (Chapada dos Guimarães). Tomar um café expresso na praça central da cidade é muito bacana. Realmente estou feliz por ter voltado para meu cerrado e por ter voltado querendo aproveitar as coisas generosas que existem acá, em Cuiabá e em Chaps.
Mas todas as férias, por melhor que sejam, trazem consigo a sensação de que acabarão. Férias é a aplicação da teoria da circularidade do tempo psiquico humano. Concordo com isso porque eu acho que inventei essa merda. E minhas férias tem data para acabar e projeto para dar fim a elas (férias): um projeto de artigo sobre o indicador de desenvolvimento do milênio – sustentabilidade – com ênfase sobre cidades.
Vai ser pedreira e, antes de entrar em férias, já tava maquinando sobre o artigo.
Mas deixa isso pra lá, por enquanto. Só dia 03 de Janeiro vou gastar neurônio com isto e tudo mais. Enquanto isso vou ficando aqui, tomando esse chopp escuro brahma e esperando chegar, finalmente, Preacher – Vol 8. Porque do resto ( e a Ciência Política, meu campo amado e meu ganha pão) quero mais é que tirem férias também.