Nas modernas democracias representativas o mecanismo que efetiva um vínculo entre o eleitorado e os representantes é a accountability. Considero que os problemas fundamentais sobre accountability são acolhidos na esfera das instituições políticas democráticas, na maneira com a qual essas instituições podem proporcionar mecanismos de controle dos representantes. Esses meandros institucionais dependem de um quadro institucional muito próximo daquele oferecido por Dahl (2005) para regimes poliárquicos. Cerceada a definição fundamental acerca da accountability, considero importante também visualizar, conceitualmente, os desdobramentos constitutivos da accountability e a conseqüente inserção no plano institucional.

A accountability poderia se dividir, essencialmente, em manifestações institucionais de característica horizontal (se refere ao controle exercido mutuamente entre os poderes institucionalizados, a separação dos poderes, por exemplo), e vertical (se caracterizaria pela coadunação em torno da prestação de contas e consequentemente a sujeição ao exame e veredicto popular por meio das eleições, gerando, ou não, nova delegação de competência decisória).
 O problema geral da accountability como problema de delegação
Moreno et al (2000), contemplarão a responsabilização enquanto um ato de delegação. Essa perspectiva sustenta-se no modelo principal – agente. Eles consideram a accountability horizontal como diretamente vinculada à qualidade da accountability vertical. O pressuposto que tomam é o de que o problema da delegação é o eixo central ao debate em torno da accountability, vinculando o problema de delegação e de principalagente às configurações de desenho constitucional de sistemas políticos presidencialistas (e semi – presidencialistas) e parlamentaristas.
Um ponto importante para cimentar essa percepção é que a relação entre principal e agente alicerça-se como condicional, fundamentada na possibilidade de destituição do agente pelo principal (fundamento da accountability). Contudo, os autores reforçam a percepção que a relação principalagente é vertical em sua constituição fundamental. 
Outro reflexo é a complexidade que o desenho institucional pode gerar na capacidade que o principal terá de punir o agente por meio das eleições ou, trocando em míudos, “acaba em pizza”.
 As instituições definem a relação principalagente. Cox e McCubbins (1997) conduzirão sua análise nesse sentido, no qual o processo de delegação obedece a três critérios prerrogativos: 1º) A “soberania popular” delega o poder de tomada de decisão política a um corpo executivo e legislativo; 2º) Existe um detalhamento no executivo e legislativo quanto ao processo de delegação, constituindo ministérios, comitês ou comissões legislativas, mecanismos de controle de agenda, tendo implicações na relação executivo-legislativo e; 3º) Toma-se o legislativo como o principal e as agências e bureau’s como agentes.   
A relação de accountability vertical entre eleitores e legisladores é crucial para o funcionamento do que denominam de troca horizontal (Shugart et al). Trocas horizontais seriam as relações entre os poderes nos sistemas presidencialistas. Essa troca horizontal se efetuaria entre instituições independentes no nível formal. As trocas horizontais seriam um meio de salvaguardar os cidadãos de uma autoridade central.        
A baixa accountability geraria um cenário que teria por conseqüência a visualização de fragilidades institucionais nos mecanismos de controle dos eleitores sobre seus representantes, resultado, fundamentalmente, das falhas das regras eleitorais.  Por exemplo, agências, operando mais sob restrição do que autonomamente, dependem de políticos que tanto as criam quanto as mantêm. Os autores inserem a problemática na qual, pressupondo que os políticos são poucos responsivos aos eleitores, existiriam poucos incentivos para controlar o executivo e o legislativo. Típico arranjo derivado do desenho institucional.
É uma ponte interessante para a discussão que Cox/McCubbins (2001, p. 26) trarão ao analisarem a qualidade da democracia segundo dois parâmetros: decisividade e resolutividade. O primeiro parâmetro consiste em considerar decisividade como a competência de um Estado em disseminar e aplicar alguma mudança política. Já o segundo parâmetro teria como característica uma outra competência por parte do Estado: a manutenção de alguma condição política.
Nesse aspecto, a quantidade de atores com poderes de veto influencia diretamente na resolução dessa questão. É possível identificar que fundamentalmente o objetivo de análise de Cox/McCubbins é examinar a governabilidade do Estado, gerando duas conseqüências: diminuir ou aumentar o número de veto gates. A resolução desse trade off tem influência direta pelo número efetivo de veto gates e em como o mesmos são determinados. 
Complicado, né?
Uma das maneiras pelo qual é possível verificar esse número efetivo de veto gates é por meio da separação dos poderes (amplos pontos de veto), presidencialismo (separação entre executivo e legislativo), o bicameralismo (duas casas parlamentares), federalismo (embora Cox/McCubbins reconheçam pontos positivos na competitividade entre as subunidades nacionais) e separação de propósito (ampliando a variedade de preferências dos atores exercendo pontos de veto). Quanto mais divididos os poderes, supostamente, tem-se mais provavelmente um Estado com resolutividade e menos um Estado com decisividade. É um tema denso e espinhoso, embora instigante.