Este post é bem para quem gosta mesmo de Ciência Política e seus debates teóricos. No caso, principalmente sobre instituições políticas. Algo que, particularmente, aprecio bastante no campo teórico da Ciência Política. E nada melhor, quando se tratando de institucionalismo (neo), desenvolver livremente, aqui no Poliarquias, um breve aspecto do debate.
Instituições Políticas para o Chá da Tarde
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Segundo André Marenco (2006, p. 04), a inserção das instituições nos modelos explicativos tanto para ação coletiva quanto para as escolhas individuais possibilitou a resolução do paradoxo da cooperação, entretanto, ao que lhe parece, ainda constando lacunas na adequada explicação da: “formação e origem destas instituições, as condições que contribuem para sua manutenção e estabilidade e os fatores que provocam decadência e mudança institucional.” Para Marenco, essas duas questões (formação e origem das instituições) constituem, ainda hoje, o “calcanhar de aquiles” da abordagem neo institucional, já que suas explicações resultariam ainda incipientes (PIERSON, 2004). 
Em seu artigo, Hall & Taylor (2003, p. 194), no exercício intelectual comparativo do desenvolvimento das três abordagens neo institucionais, efetuam uma questão que tanto agrega um problema em comum entre as três abordagens neo institucionais quanto estimula respectivas respostas (intercaladas ou não entre os três neo institucionalismos): como explicar o processo de surgimento e mudança institucional
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Primeiramente, para os autores, todas as três abordagens possuem vantagens e deficiências na resposta a essa pergunta. O Neo Institucionalismo da Escolha Racional, segundo os autores, explica de forma mais consistente a permanência das instituições, buscando entender as funções que as instituições cumprem e, como consequência, os resultados vantajosos que proporcionam, uma qualidade para os autores. Entretanto, sua abordagem, incorporando o problema do surgimento das instituições, constituiria-se retrospectiva: “a origem de uma instituição dada é explicada em larga medida pelos efeitos da sua existência”; e funcionalista com inadequado pressuposto de que as instituições existentes são as mais eficientes, resultando: “em numerosos exemplos de ineficiência apresentados por tantas instituições permanecem sem explicação” (HALL & TAYLOR, 2003, p. 215). 
Desta forma, problemas que resultariam em explicações insuficientes da criação das instituições, já que pressuporiam um processo contratual “voluntário” num cenário “hobbesiano” entre os atores relativamente simétricos, não conferindo adequada reflexão sobre a assimetria das relações de poder que configuram mais influência e poder a determinados atores que a outros. 
Referências Bibliográficas
HALL, Peter & TAYLOR, Rosemary. (2003), “As três versões do Neo Institucionalismo.” Lua Nova, no 58, p. 193-223.
Jepperson, Ronald L. (1999), “Instituciones, Efectos Institucionales e Institucionalismo” in POWELL, Walter W. & DIMAGGIO, Paul J. El Nuevo Institucionalismo em el Análisis Organizacional. México; FCE, p. 193-215.
IMMERGUT, Ellen. (1998), “The theoretical core of the new institutionalism”. Politics and Society, 26 (1): p.5-30.
Pierson, Paul. (2000), “Increasing Returns, Path dependency, and Study of Politics”. American Political Science Review, vol.94, n.2, june, pp.251-267.
_____________; Skocpol, Theda. (2000), “Historical Institutionalism in Contemporary Political Science”. Paper for the American Political Science Association Meeting. Washington (DC), p. 14-15.