Estou de molho, neste momento muito, muito cedo de uma manhã ensolarada, num hostel em Porto de Galinhas. Embora não fosse a intenção, acabei workaholizando essas “micro-férias” numa das mais belas praias do Brasil. E, no caso, vou pensar justamente no campo da Metodologia. E, neste caso específico após o post sobre Política Comparada, no método de Estudo de Caso.

Antes de Porto de Galinhas, tomando um Maltado no Recife Antigo: bom demais
“De cara” é importante frisar que Estudo de Caso é método e não técnica de pesquisa. Ouvi,, da parte de alguns discentes sobre essa confusão nos corredores do Programa de Pós Graduação em Ciência Política da UFSCar. E talvez por isto, depois de ter participado do VI Seminário de Ciência Política e Relações Internacionais da UFPE (que, inclusive, vai merecer um post exclusivo mais adiante da semana), estou aqui, às voltas novamente com o debate metodológico que, em minha opinião, cada vez mais é urgente para o desenvolvimento não apenas da Ciência Política brasileira, mas da própria Ciência em geral. Segundo George e Bennet (2005, p.05), o estudo de caso é uma abordagem e também um método de pesquisa que se caracteriza pelo “exame detalhado de um aspecto de um episódio histórico com o intuito de desenvolver ou testar explicações que podem ser generalizadas para outros eventos”. Julgo importante ressaltar, dentro do quadro desta pesquisa, que os estudos de caso são aqui instrumentalizados devido ao interesse em entender adequadamente condições contextuais, pressupondo-as como pertinentes para o fenômeno em estudo (YIN, 1994).
Livro referência para aqueles e aquelas que desejem se aprofundar no método de Estudo de Caso
Creio que a abordagem metodológica do Estudo de Caso permite lidar com uma variedade integral de evidências, instrumentalizando a pesquisa com recursos como documentos, entrevistas e observações (YIN, 2005). Neste sentido, existem, penso agora, quatro aplicações para o Método do Estudo de Caso: 
1.      Explicar ligações causais nas intervenções de cenário, devido a sua maior complexidade que surveys ou por estratégias experimentais;
2.      Descrever o cenário no qual ocorreu a intervenção;
3.      Promover uma avaliação, mesmo que de caráter descritivo, da intervenção realizada;
4.      Buscar explorar situações nas quais as intervenções avaliadas não impliquem em resultados claros e específicos.
Gastando alguns preciosos neurônios com Metodologia
Para um melhor dimensionamento, pressupõe-se fundamentalmente a importância de adoção de um conjunto teórico ao iniciar o estudo, entendendo-se que esse conjunto teórico adotado será importante como instrumento para a coleta de dados auxiliando, desta maneira, na cobertura das questões e propósitos de estudo, ofertando a vinculação dos dados às proposições e aplicando critérios para a robustez de análise dos dados.
Em alguns estudos que realizei, busquei, algumas vezes, adotar o método de Process Tracing e, especificamente, o Process Verification. São uma saída metodológica salutar, por exemplo, para a análise da formação da agenda e do processo decisório em torno do ciclo de políticas públicas (formulação – implementação – avaliação). Na verdade, é possível observar que o método de Process Tracing gera e analisa dados explorando mecanismos causais, ações, probabilidades dentre outras variáveis de caráter interveniente e que vinculam causas potenciais e efeitos examinados. E a especificação de abordagem de Process Verification por entender que essa abordagem permite um grau elevado de hipóteses e variáveis, diretamente vinculadas ao número de arcabouços teóricos de caráter de curto ou longo alcance explicativo que possam dar suporte as explicações pretendidas. Desta forma, a inclusão deste dispositivo teórico metodológico reduz a perspectiva de deparar-se com a vinculação de variáveis dependentes e independentes de caráter artificial, o que, em si, já é um excelente apoio para pesquisas sérias que venham a utilizar o método de Estudo de Caso. 
E as fotos das piscinas naturais de Porto de Galinhas? Ficarão para o próximo post…rs…

Referências Bibliográficas
BENNETT, Andrew & ELMAN, Cole. (2006), “Complex Causal Relations and Case Study Methods: the example of Path Dependence.” Political Analysis, Vol. 14, no 03, p. 250-267.
GEORGE, Alexander & BENNETT, Andrew. (2004), Case Studies and Theory Development in the Social Sciences. Cambridge: MIT Press.
YIN, Robert K. (2001), Estudo de Caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman.