Dentro da Ciência Política o sub-campo que mais vem me despertando interesse é o da Política Comparada. Os motivos são vários, mas posso listar alguns deles: (1) debate teórico e metodológico amadurecido e (2) acentuado caráter empírico nos trabalhos desenvolvidos no campo nos últimos trinta anos. E essa aproximação da Política Comparada veio através das Relações Internacionais. Um caminho meio diferenciado, talvez, mas ainda assim um caminho possível de aproximação. Digo isto porque, no Brasil, Ciência Política e Relações Internacionais, embora se configurem um mesmo campo para a Capes em suas avaliações, do ponto de vista teórico e metodológico, existe uma barreira acentuada e pouco e real diálogo entre os campos. O que considero um problema sério, afirmo, para as duas áreas. 
A aproximação séria entre os campos e a possibilidade de imprimir um maior diálogo e pesquisa empírica dentro dessa aproximação ocorreu-me após ler um excelente livro de Todd Landman (escreve num inglês fluente, fácil e nem por isso “pobre” em sua linguagem culta) chamado Issues and Methods in Comparative Politics: An Introduction. Neste livro, existe um capítulo em especial denominado numa tradução livre “Política Comparada e Relações Internacionais”. Vale muito a pena de ser lido, com direito a anotações e comentários diversificados. Mas além desse diálogo direto dos campos, o livro é excelente do ponto de vista metodológico para aquele/aquela que tiver interesse na área da Política Comparada. E procurei, nest post, apontar alguns debates e algumas referências para o campo.

De acordo com Arend Lijphart (1971, p. 682), a Política Comparada configura um espaço da Ciência Política que se identifica através de um formato metodológico mais que substancial. Antes de qualquer coisa: por que comparar? Ao buscar uma resposta de imediato, acredito que a melhor resposta seja considerar a comparação enquanto um método de controle de generalizações, cujo objetivo, é possível dizer, configura a formulação de um arcabouço teórico explicativo empiricamente falseável. Entretanto, para Giovanni Sartori (1981), a pergunta ainda se encontra sem uma adequada resposta. 
Sartori: de olho no método e a Política Comparada não escapou de seu exame
Segundo Sartori (1981), quatro técnicas de verificação são identificadas nas Ciências Humanas e Sociais, segundo o que denomina como uma “força de controle decrescente”: (i) o método experimental; (ii) o método estatístico; (iii) o método comparado e; (iv) o método histórico. Para o teórico, o método comparativo não se constitui uma “entidade em si”. E mais: ao se indagar sobre o que é comparável, Sartori (1981) afirma que comparar implica assimilar e diferenciar nos limites. Em seu entendimento, as comparações que interessam observam os atributos entre entidades que possuem atributos totais compartilhados e não compartilhados em parte. Para o teórico italiano, entretanto, a comparação é o menos insatisfatório de todos os métodos de controle existentes e acessíveis à Ciência Política. 
Segue abaixo, após essa breve apresentação da Política Comparada, algumas referências bibliográficas básicas do campo da Política Comparada.
LIJPHART, Arend. (1971), “Comparative politics and the comparative method.” American Political Science Review. V. 65, p. 6682 – 6693 
KATO, Junko.  (1996), “Path Dependency As a Logic of Comparative Studies: Theorization and Application”. Paper presented at Annual Meeting of American Political Science Association (APSA), San Francisco, August/September. 
SARTORI, Giovanni. (1981), A Política: lógica e método nas Ciências Sociais. Brasília: Editora Universidade de Brasília. 
THELEN, Kathleen; STEINMO, Sven. (1992), “Historical Institutionalism in Comparative Politics”. In: Steinmo, Sven; Thelen, Kathleen; Longstreth, Frank (eds.). Strcuting Politics. Historical Institutionalism in Comparative Analysis. New York: Cambridge University Press.