Procurei discorrer de maneira articulada e comparada os fatores domésticos como bases para cooperação entre os países. A formação de um quadro comparado visa obter, analiticamente, condição de melhor dimensionar as peculiaridades de Índia, Brasil e África do Sul, já que, embora tenham trajetórias históricas, culturais e políticas diferenciadas, ambientaram-se em condições estruturais semelhantes. É por via dessa perspectiva, de trajetórias diferenciadas, mas de condições estruturais semelhantes, que procurei traçar a melhor definição conceitual para a Índia, o Brasil e a África do Sul, como Potências Médias e Estados Intermediários ou ambas. Definição pautada, entretanto, diante do reconhecimento da não existência de um consenso, na literatura especializada de Ciência Política e Relações Internacionais, da melhor maneira de se enquadrar categoricamente países do porte da Índia, do Brasil e da África do Sul no ambiente político e econômico internacional.

Na procura por um melhor enquadramento de Estados do porte de Índia, Brasil e África do Sul, é possível localizar, na literatura especializada em Relações Internacionais, categorias como Potências Médias, Grandes Potências Regionais, Potências Secundárias, Países Recém Industrializados ou Grandes Mercados Emergentes (SENNES, 2006, p. 53). Pela breve alocação dos conceitos expostos é possível perceber o grau de amplitude que Estados do porte dos países aqui estudados possuem, variando nas categorias a importância política e econômica que os analistas atribuem ao peso dos mesmos no ambiente internacional.
Segundo Oliveira et al (2006, p. 489) Estados Intermediários: (i) teriam um interesse comum ou então uma agenda internacional aderente às ideias dos Estados Intermediários ou; (ii) teriam interesses divergentes que se compatibilizariam devido a serem Estados Intermediários. Nesse caso, ainda segundo Oliveira et al (2006, p. 490), essa articulação derivaria de: (i) referências mútuas ao lidar com problemas de caráter semelhante e; (ii) interesses de agenda em fomentar uma maior interdependência como recurso de alargamento das parcerias, retirando-se de um limitado vínculo unilateral com países desenvolvidos. 
Para Soares de Lima (2007), os países que podem ser identificados como “grandes mercados emergentes” identificar-se-iam por quatro características derivadas do receituário neoliberal do “consenso” de Washington: (i) privatização; (ii) liberalização comercial; (iii) desregulamentação da economia e; (iv) reforma do Estado. Países como Argentina, Brasil, México, Turquia, Polônia, Coréia do Sul, Rússia, Índia, Indonésia e África do Sul poderiam pertencer a estas categorias (SOARES DE LIMA, 2007; SENNES, 2001). Neste sentido, a credibilidade e a estabilidade macroeconômica seriam instrumentos fundamentais para a melhor inserção no âmbito da globalização.
Hoje o sentido de categorizar países como a Índia, o Brasil e a África do Sul como system affecting state é um tanto quanto mais restrito, mas é possível perceber, também, que o conceito não está inteiramente perdido. Por exemplo, na esfera econômica, o perfil de credibilidade e estabilidade macroeconômica é perseguido pelos três países e suas políticas externas são orientadas em torno da percepção de que seus países são grandes mercados emergentes. E na esfera política, a busca por valorizar instituições internacionais prestigiando seus colegiados decisórios e, ainda mais, na busca por reformar seus desenhos institucionais demonstra a aderência ainda de um mesmo fio condutor que guiou as políticas dos países desde a década de 60 no ambiente internacional (a África do Sul veio somar esforços neste sentido apenas ao fim do regime do Apartheid ao início da década de 90).
Articular-se com Estados que enfrentam problemas domésticos comparáveis e constrangimentos sistêmicos similares possibilita, efetivamente, a coordenação de políticas externas e a construção de pautas de agenda internacional coadunadas. E no caso do Foro IBAS, entende-se que os Estados Intermediários e/ou Potências Médias configuram alguma coalizão e a prestigiam em suas agendas domésticas devido a efetivamente existir tanto um interesse comum quanto uma agenda internacional aderente às ideias dos Estados Intermediários.