M. Singh (Primeiro Ministro da Índia), T. Mbkei (Presidente da África do Sul) e Lula da Silva (Presidente do Brasil)
Julgo importante considerar as condições domésticas dos países por observá-las como bases para a ampliação da cooperação, tanto em seu caráter político quanto econômico (SOARES DE LIMA, 2005). Cooperação internacional ancorada nas deficiências (seja como problemas comparáveis na área de saúde, comércio ou segurança coletiva, por exemplo) próprias dos Estados, mas neste sentido as deficiências são tomadas como fatores de promoção de ação coletiva por parte desses Estados.
A tomada das condições domésticas auxilia, na observação da construção da inserção internacional dos países, por parte dos decision makers, uma maior clareza na visualização da formulação de políticas de coalizão. Por exemplo, tanto do ponto de vista sistêmico (o exercício de suas políticas externas em cenários bipolares ou unimultipolares) quanto do ponto de vista doméstico (trajetórias de formulação de política externa comparáveis).

Seguindo a orientação de Soares de Lima (2005), e por meio da discussão dirigida ao longo do Capítulo, é possível classificar a Índia, o Brasil e a África do Sul como:
1) Grandes democracias de massa com acentuados problemas de inclusão social;
2) Membros semi-periféricos do ambiente econômico internacional;
3) Potências Regionais;
4) Nível razoável de industrialização.
As quatro variáveis de identificação apresentadas por Soares de Lima (2005) serão operacionalizadas como mapas de orientação para a explicação do status dos países. Índices serão instrumentalizados com o objetivo de configurar suporte na identificação política, econômica e social dos países. Por isso, torna-se importante, numa atividade comparativa (ainda que não seja o foco do trabalho dissertativo) identificar, por exemplo, os tipos de regimes (políticos), derivando, desta inferência sobre os regimes políticos, indicar critérios pelos quais seja possível estimar dimensões como liberdades civis e direitos políticos, e o status econômico dos países, por meio de índices de competitividade econômica global e por meio de indicadores como o PIB per capita dos países. 
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 Obviamente essas variáveis são instrumentos para identificar um quadro geral no qual a Índia, o Brasil e a África do Sul se encontram. Neste sentido, afirmar que existem mais diferenças que semelhanças entre os países é um pressuposto amplo. Entretanto, essa percepção não é unânime entre os especialistas de Política Comparada (Friedman, 1996, p. 12). E ainda que, por alguma prerrogativa que seja, as diferenças entre os países sejam acentuadas: “isso de forma alguma tornaria a comparação de percepções e informações menos valiosas.”
Por isso a validade do exercício de análise comparativa para se entender as condições domésticas (bem como sistêmicas) que os países enfrentam e, em parte por virtude disto, incorrem em cooperação com outros Estados que também enfrentam, de alguma maneira, condições domésticas e constrangimentos externos semelhantes. O exercício de comparação aqui disposto não tem pretensão de identificar todas as principais fontes de dados e sim aspectos pontuais de seus regimes democráticos (em seus aspectos institucionais chave) e de suas economias.
Na tabela que se segue é possível visualizar o quadro comparado dos países segundo alguns índices, operacionalizados segundo o interesse, aqui presente, de apresentar elementos domésticos dos países que variem desde fatores eminentemente políticos (índice de corrupção), sociais (índice de desenvolvimento humano) e econômicos (índice de competitividade global).
Tabela Índices Sociais, Políticos e Econômicos Comparados entre a Índia, o Brasil e a África do Sul em Perspectiva Comparada
Índices Sociais, Econômicos e Políticos Comparados
Índia
Brasil
África do Sul
Índice de Desenvolvimento Humano – IDH (2007-2008)
0,619
0,800
0,674
Posicionamento do IDH no Ranking da ONU (2007-2008)
128
70
121
Índice GINI (2007)
0,368
0,528
0,578
Índice de Competitividade Global segundo o Fórum Econômico Mundial – FEM (2007-2008)
4,33
3,99
4,42
Ranking de competitividade global do FEM (2007-2008)
48
72
44
Índice de Crescimento Econômico (1996-2006) segundo o Banco Mundial
7,4 (1996)
9,2 (2006)
2,1 (1996)
3,7 (2006)
4,3 (1996)
5,0 (2006)
Índice de Percepção de Corrupção segundo a Transparência Internacional (2007)
3,5
3,5
5,1
Posição no Ranking da Transparência Internacional  (2007)
72
72
43
Fonte: UNDATA; Banco Mundial; IBGE; Transparência Internacional
Esse quadro comparado aproximado pode ser visualizado, também, por meio dos índices de governança e processos democráticos e de crescimento econômico dos três países. Esse quadro será discorrido, primeiramente, em torno das dimensões políticas (institucionalização democrática) e, por conseguinte, da dimensão econômica dos países, ressaltando o caráter comparativo das duas abordagens.
Existe na literatura de Ciência Política um apontamento positivo da relação entre a democracia e o desenvolvimento econômico. Lipset (1959), por exemplo, inspirou uma extensa rede de pesquisa sobre a relação entre democracia e desenvolvimento econômico. Sua argumentação repousa na premissa de que em um país com grau maior de desenvolvimento a democracia tende a ter maior aderência no tecido social. Índia, Brasil e África do Sul encontram-se num estágio de desenvolvimento avançado, dentro do quadro dos países do Sul, e suas democracias mostram-se maduras. O intuito, portanto, dessa vinculação (democracia e desenvolvimento econômico) é poder comparar os quadros específicos de cada país, com similitudes e diferenciações.
Saliento, entretanto, que a comparação entre a Índia, o Brasil e a África do Sul requer um quadro equilibrado entre os pontos semelhantes e diferentes entre os países. Fundamentalmente, comparar exige acuidade analítica, identificando um equilíbrio ideal entre uma variedade menor ou maior de aproximações e distanciamentos de realidades, derivando das observações promovidas a visualização e esclarecimento de desafios em comum aos países.