Em geral, as análises de Política Internacional que contemplam e remetem à governança ambiental global configuram um meio ambiente repartido em três “porções políticas”: (i) internacional; (ii) nacional e; (iii) local. Segundo Platiau et all (2004), os problemas ambientais, caracterizados muitas das vezes como problemas que ultrapassam as fronteiras políticas tradicionais, reforçam a necessidade de uma gestão coletiva de suas vicissitudes, por meio da demanda de ações coletivas envolvendo atores políticos, sociais e econômicos diversificados. A criação de regimes internacionais diminui os custos de transação entre os governos nacionais fomentando mecanismos políticos de enfrentamento às mudanças climáticas. 
Segundo Eduardo Viola (2001, p.90): “os regimes internacionais são um sistema de regras explicitadas num tratado internacional pactuado entre governos, que regulam as ações dos diversos atores sobre o assunto.” Portanto, regimes são meios para reduzir os custos de transação necessários à interação entre os atores internacionais, possibilitando condições mais adequadas na promoção de suas expectativas, favorecendo, por conseguinte, a cooperação entre os atores internacionais. Contudo, é importante ressaltar, os regimes ambientais internacionais podem ser caracterizados e operacionalizados de três maneiras:
(i) Um primeiro tipo de regime ambiental internacional caracteriza-se por ser essencialmente regular, outorgando privilégio a enunciação e implementação de regras de ação; (ii) um segundo tipo de regime ambiental internacional pode ser identificado pelo caráter “gestor”, ou seja, pela insistência nos procedimentos com fins a escolhas coletivas e, por fim; (iii) um terceiro tipo de regime ambiental internacional pode ser identificado pelo caráter programático que possui ao objetivar o estímulo de projetos comuns aos atores envolvidos (LEVY et all, 1995). O terceiro tipo de regime ambiental pode ser identificado como o característico operacionalizado pelo maior estreitamente e cooperação das unidades subnacionais em torno de políticas em comum frente às mudanças climáticas.
 
Mapa do Protocolo de Kyoto em 2009: notem que em vermelho encontra-se os EUA, país que não ratificou o Protocolo.
No Protocolo de Kyoto existe a atribuição e fixação, aos países desenvolvidos do Anexo I, de metas de redução de emissões de CO2 junto aos maiores emissores domésticos, remetendo essas metas fixadas ao acordado no Protocolo e, como desdobramento, as metas fixadas são disseminadas por meio das instituições responsáveis através de um projeto nacional de alocação de emissões de CO2
Uma alternativa disposta aos países emergentes (como o Brasil, Índia e China, por exemplo) e países com menor desenvolvimento relativo que tenham projetos nacionais de redução de emissão de Gases de Efeito Estufa, GEE, que se configurem dentro de um projeto de desenvolvimento sustentável, é a inserção do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo como recurso às empresas que não atinjam (seja por não conseguirem ou por não desejarem) uma meta estipulada de redução de emissões de CO2 é a aquisição de Reduções Certificadas de Emissões (RCE). O objetivo das RCE é outorgar os certificados com os fins de cumprimento das metas estipuladas, embora deva ser acrescido que a utilização desse mecanismo restrinja-se a uma fração dos compromissos de redução. 

Os Estados, mesmo sob a orientação de um regime ambiental internacional, ainda tendem a priorizar e atrelar as questões econômicas aos problemas ambientais e com as mudanças climáticas não é diferente. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo surge como uma alternativa de mercado ao enfrentamento das mudanças climáticas, um mecanismo que possibilita a geração de benefícios dispersos entre os agentes econômicos. Segundo Eduardo Viola (2002, p. 25) o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo possibilitou aos países desenvolvidos: “cumprirem parte de suas metas de redução de emissão condicionada ao financiamento de projetos de desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento”. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo foi um mecanismo de mercado desenvolvido pelo Protocolo de Kyoto objetivando facilitar o sucesso no cumprimento das metas, definidas pelos países que ratificaram o Protocolo, de redução de emissão de gases de efeito estufa (OBSERVATÓRIO DO CLIMA, 2008): “em 2001, por ocasião da 7ª Conferencia das Partes da UNFCCC, ficou estabelecido que somente as atividades de florestamento e reflorestamento seriam elegíveis dentro do Mecanismo de Deselvolvimento Limpo (MDL)”

A lógica do MDL é uma lógica de mercado que busca promover economicamente a redução das emissões globais de CO2. Como consta no Artigo 12 do Protocolo de Kyoto, para cada tonelada de CO2 que deixar de ser emitida ou mesmo retirada da atmosfera por algum país (em desenvolvimento ou com menor desenvolvimento relativo), a mesma poderá ser negociada no âmbito do mercado. É claro que a distribuição de projetos de MDL, por proceder por uma orientação de mercado, implica numa lógica assimétrica elevada entre os tipos de projetos de MDL em validação/aprovação.

Para maiores informações existe o site da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, ligada ao Ministério de Ciência & Tecnologia e para encerrar o post uma entrevista com o ex- Ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, sobre o Plano Brasileiro de Combate às Mudanças Climáticas.