Hoje é Dia do Professor. Bacana. E ae, que tem de mais? Nada. Apenas isso. Um dia como outro dia qualquer.

Estou amargo. Provavelmente. Não vejo muito sentido em comemorar “dia do professor” quando, no Brasil, o analfabetismo funcional é premiado com a “aprovação automática”. É isso mesmo. A aprovação automática é a mais perfeita arma a favor do analfabetismo funcional num país no qual os governos (e to pra te dizer que independe da sua filiação partidária) consideram educação como “gasto público” e não como “investimento público”. Não vejo sentido em se defender uma prática dessas em qualquer escola do mundo. Premia-se a “folga” e não a disciplina e, pasmem, sobrecarrega ainda mais o professor, que passa a correr contra o relógio para compartilhar com os estudantes conteúdos que, muitos deles sabem, não lhes servem para nada (ao menos não os fizeram perceber que muitos dos conteúdos podem sim ajudá-los) e esse cenário gera e estimula a pior das situações”eu finjo que te ensino, você finge que aprende e todo mundo fica feliz”. É isso.

E nem adianta virem com teoria pedagógica que a aprovação automática estimula a capacidade de aprendizado. Balela. Sou, ou fui, não sei mais, professor. Aprendi com a prática. E boa parte dessas teorias da educação deveriam ser escanteadas sem dó nem piedade. Porque aprovação automática é apenas um recurso político para inflar números para serem apresentados como gráficos pelos governos estaduais e municipais ao Banco Mundial ou na “prestação de contas” à sociedade.
Não tenho condições de comemorar o “dia do professor”. Não tenho condições e nem quero. Não bastasse essa palhaçada de aprovação automática, ainda tem o desestímulo financeiro ao professor. Alguém que lê este blog sabe mais ou menos quantas horas trabalhadas são revertidas em quantos Reais na carteira do professor ou da professora? Pode ter certeza que são muitas horas trabalhadas e poucos Reais, comparados, são revertidos. E não me venham dizer que a docência, magistério, licenciatura é um dom, acima de tudo. Conversa mole pra boi dormir. Quero ver um advogado ou economista ou engenheiro escutar isso. Como vão reagir? Duvido que vão apelar ao dom.
Hoje não vou comemorar o dia do Professor. Prefiro que comemorem esse dia de verdade valorizando (não apenas no discurso) essa categoria profissional tão valiosa para o desenvolvimento de um Estado nacional. E o Brasil não é excessão.
E para coroar a coisa toda, um lindo vídeo mostrando a maneira como o candidato José Serra (PSDB), através de seu tenebroso secretario de Educação, Paulo Renato, consideram a educação e seus profissionais, como prioridade.