Creio que dos teóricos mais clássicos da democracia (Pré-Dahl e sua obra Poliarquia que, para mim, é o verdadeiro “divisor de águas” da Ciência Política) Stuart Mill seja aquele que mais desperta e aguça meu interesse intelectual. Por sua biografia sim, mas especialmente pelas obras que produziu de excelente qualidade. E um dos pontos que mais me despertou curiosidade foram suas considerações metodológicas, especialmente voltadas ao método comparativo.

Stuart Mill (1999) teve uma séria importância para o desenvolvimento do campo comparativo, através dos métodos da concordância e da diferença. Por isso, acredito que o desenvolvimento do método comparativo deva seu mérito, em grande parte, ao trabalho de John Stuart Mill realizado em Sistema de Lógica Dedutiva e Indutiva, publicado no ano de 1843. Nessa obra, Stuart Mill define, com rigor e consistência, os métodos de pesquisa experimental, dividindo-os em duas formas. Em suas palavras:
Os métodos mais simples e familiares de escolher entre as circunstâncias que precedem ou seguem um fenômeno, aquelas às quais esse fenômeno está realmente ligado por uma lei invariável são dois: um consiste em comparar os diferentes casos em que o fenômeno ocorre; o outro, em comparar casos em que o fenômeno não ocorre. Esses dois métodos podem ser respectivamente denominados o método de concordância e o método de diferença (Mill, 1984, p. 196).
Entretanto, frisa-se, Stuart Mill não considerou apropriados de toda maneira os métodos de concordância e diferença na operacionalização das Ciências Sociais. Retoma-se, nesse sentido, a discussão em torno dos procedimentos metodológicos comparativos. Observe-se o caso do método da concordância de Stuart Mill: ocorrendo que dois ou mais casos de um mesmo fenômeno analisado tenha, especialmente, uma de diversas circunstâncias causais possíveis convergentes, observa-se que a circunstância convergente nos casos é a causa do fenômeno analisado. Nas palavras de Stuart Mill: “Se dois ou mais casos do fenômeno objeto de investigação têm apenas uma circunstância em comum, essa circunstância única em que todos os casos concordam é a causa (ou efeito) do fenômeno” (MILL, 1984, p.198). Nesse sentido, o método da concordância pode ser identificado como a procura por padrões de não-variação, ou seja, objetiva-se cercear a variável causal possível que se encontra constante, dado cruzamento de todos os casos observados. Já quanto ao método da diferença, dispõem-se os fatores causais como similares, observando-se as distinções nos resultados políticos entre os casos elencados, todavia, uma variável independente decisiva, que é alterada dispondo os casos elencados, é conjugada como fator causal dos diferentes resultados políticos. Segundo Stuart Mill (1984, p. 199):
Se um caso em que o fenômeno sob investigação ocorre e um caso em que não ocorre têm todas as circunstâncias em comum, menos uma, ocorrendo esta somente no primeiro, a circunstância única em que os dois casos diferem é o efeito, ou a causa, ou uma parte indispensável da causa, do fenômeno.
É fundamental, quando dois casos dispostos com acentuadas similaridades exprimem resultados diferenciados, que o objetivo investigativo seja identificar o fator diferenciado que responde por resultados discordantes. Nesse caso, ao não destacar as semelhanças entre os fenômenos diferenciados, o pesquisador analisa a diferença casualmente decisiva entre os fenômenos relativamente semelhantes. 
Referência Bibliográfica
MILL, John Stuart. (1994), Sistema de lógica dedutiva e indutiva. São Paulo: Abril Cultural, Coleção – Os Pensadores.