A “onda verde” levou José Serra (PSDB) ao segundo turno. É indubitável. A agenda ambiental mostrou seu peso nessas eleições e Marina Silva portou-se como uma candidata competitiva e com programas de governo que contemplaram o desenvolvimento sustentável como ele se configura: com seu caráter de sustentabilidade ambiental, econômica e social. Particularmente considero que o eleitorado percebeu que a plataforma de camanha de Marina Silva era e é tangível e desenvolvimento sustentável não é moda, mas sim necessidade política, seja na sua incorporação a educação, seja na sua incorporação a própria gestão pública.
E esse efeito me fez pensar no seguinte: e se Marina Silva fosse a candidata de Lula a Presidência?

É lógico que pensar a partir dessa conjectura do “e se…” é algo, por si só, especulativo. Mas é de se pensar. Marina Silva abandonou o barco do Governo Lula por não considerar que o desenvolvimento sustentável era contemplado de forma adequada na agenda governamental e também nas resultantes políticas públicas. E claro, ela própria, não era contemplada de forma equilibrada. Os embates entre Dilma e Marina por causa do “patrolamento” das questões relativas a preservação/conservação ambiental eram notórias e muitas vezes divulgadas pela imprensa. Contudo, não existem vilões nesse caso, é importantissimo frisar. Mas existia e existe um embate de ideias e interesses dentro das instituições. Mas Dilma sabe que terá uma danada dificuldade de contornar agora esses embates. 
É uma ironia do destino. No caso, Marina “saiu perdendo” ao não se ver apoiada pelo Presidente Lula. Mas e se fosse diferente? E se fosse Marina Silva a ser contemplada por Lula como sua candidata? E hoje, quem sairá perdendo mais pelos embates anteriores, Marina ou Dilma?

Olha, tenho forte impressão, depois da votação expressiva de Marina Silva, que Lula teria concertado uma candidata muito mais forte e competitiva. Se “sozinha” Marina conseguiu 20% da fatia de votos nas eleições presidenciais sem se coligar com partido algum, imagina se tivesse conseguido agregar ao menos um outro partido da base aliada, como o PDT, com Cristovam Buarque como vice? Sei, parece “chapa dos sonhos”, mas é verdade. O cenário para Marina e para a continuidade do governo Lula seria producente. Serra, como disse anteriormente, só conseguiu chegar ao segundo turno graças a força eleitoral de Marina Silva. E isso já está fazendo movimentar a campanha de Serra. Mas Serra não é bobo. Sabe que conciliar a plataforma de desenvolvimento sustentável do PV é ir de desencontro ao seu aliado DEM (que saiu perdendo feio na Camara e Senado e isso reflete no formato de governabilidade de coalizão no Brasil e, no caso, Serra sai mais perdendo do que ganhando mantendo o status de importancia ao DEM na sua chapa e por isso já soam conversas de se “trocar o vice” Índio da Costa, figura completamente apagada do ponto de vista eleitoral.
A próxima semana será quente. Não um aquecimento global, mas um verdadeiro esquentar de turbinas para se decidir na campanha de Serra e também de Dilma: incorporar a plataforma de desenvolvimento sustentável do PV (ver Marina Silva) ou  melhor, como incorporar?
Como diz Mon Calamari, “é a pergunta que não quer calar”.