Uma das coisas que mais me chamou atenção nesta eleição foi a crítica feita a candidata do PT de não ter bagagem eleitoral, de nunca ter concorrido a cargo representativo algum, de ser, portanto, uma “técnica” e não uma “política”. Essa questão me alarmou durante um bom tempo da eleição. Embora tenha feito uma micro campanha para Marina Silva e tenha votado nela, não conseguia visualizar o efeito negativo da candidata Dilma do PT ser técnica e, portanto, menos qualificada para o cargo de Presidente do Brasil. E fiquei pensando “cá com meus botões e gibis”: política é tecnica?

Creio que exista um meio termo todo na coisa. O “fazer política” não é algo inteiramente técnico, que pode ser inteiramente rodado no SPSS e toda a deliberação, formulação e implementação de políticas públicas caibam exatamente numa equação matemática. Política é mais que isso. Talvez essa discussão enverede por um campo metodológico do campo da Ciência Política e esse não é o objetivo, mas dessa possível discussão pode-se apreender algo: política tem grau de racionalidade que reflete não apenas na capacidade do eleitor em escolher seus candidatos e na capacidade dos candidatos de promoverem ações para maximizar seus auto-interesses e também dos seus respectivos partidos. E dentro dessa situação, digamos, uma candidata ser “técnica” e não “política desde o bercinho” não diz nada sobre a eficiência de seu governo. Como qualquer política, novata ou “macaca velha”, uma candidata (o) técnico terá de incorporar o chamado jogo político de uma forma ou de outra, percebendo-se, aí, que, numa democracia, não somente as instituições aprendem, mas também os atores.
E convenhamos, a quantidade de governos de “políticos de bercinho” que fizeram e aconteceram no sentido de inoperância da gestão pública é exorbitante na história brasileira, latino americana e por aí vai. Talvez o que estejamos precisando, no Brasil, seja de mais técnicos, mas técnicos políticos. Talvez Dilma e o candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, sejam exemplos qualificados para esse cenário político brasileiro. Ambos com experiência técnica e “tato” político.
E mais ainda: acredito que o Brasil necessita, cada vez mais, de “tecnicizar” seu quadro operativo para fomentar boas políticas públicas, ao mesmo tempo que precisamos de mais accountability no processo político e também judiciario. Não acredito que ter mais técnicos políticos seja um problema para a democracia, ao contrário, acredito que reforce sim a política democrática. Precisamos menos de cantores e palhaços políticos e sim de mais técnicos políticos nas instituições representativas brasileiras.