Na primeira aula do curso de Doutorado em Ciência Política, meu professor de Seminário Avançado de Teoria Política falou a todos e a todas da sala: Albert Hirschman escreveu um dos mais fascinantes e simples trabalhos das Ciências Sociais do século vinte. A obra? “Saída, Voz e Lealdade”. E nós todos (a) teríamos de devorar o livro para a segunda aula.
Foi o que pretendi fazer na época e hoje disponho aqui no Poliarquias um breve resumo organizado.

O argumento central de Hirschman é simples: saída e voz não são duas categorias mutuamente exclusivas. O caso da Saída pertence a Economia, enquanto a segunda, Voz, pertence a Política. Para Hirschman, é extremamente útil a instrumentalização interdisciplinar de conceitos, sejam oriundos da Economia, sejam oriundos da Ciência Política. Seu objetivo de avaliação é simples: mostrar aos cientistas políticos e economistas que mecanismos econômicos e políticos são agentes dotados de igual importância. 
Como a obra é vinculada, primeiramente, a Economia, Hirschman aponta dois aspectos de desinteresse dos economistas pelas “falhas reparáveis” dos agentes econômicos. O primeiro ponto é que, para a Economia, o comportamento dos agentes econômicos é total ou permanentemente racional. O segundo ponto trata, no pressuposto da Economia neoclássica, do modelo de concorrência, no qual a recupeação de qualquer falta não é realmente essencial. Para Hirschman, a concorrência é o principal mecanismo de recuperação. Mas é algo não eminentemente completo, inserindo-se, neste cenário, a Voz e a Saída.
Mas o que é a Voz e a Saída e como podem ser identificadas?
Para Hirschman, a Voz é a articulação, a capacidade de mudança e não de fuga, configurada como a Saída. Um exemplo possivel de visualização pode ser esse: (1) alguns clientes param de comprar determinado produto de uma empresa ou então alguns membros deixam uma organização. É a opção da Saída; (2) Os clientes de uma empresa ou os membros de uma organização expressam insatisfação diretamente à direção, a uma autoridade ou por meio de protestos gerais. É a opção da Saída. 
Para Hirschman, a Voz é o oposto de Saída, ela é a ação política por excelência. Entretanto, é importante frisar, existem cenários onde a Saída elimina a Voz, de outra parte a Voz pode funcionar como valioso mecanismo de recuperação, merecendo o reforço de instituições adequadas.