O estudo sobre o desenho institucional do Estado e dos seus níveis decisórios permite analisar de maneira mais nítida “o que” se decide e “quem” se beneficia dessas decisões. Na abordagem neo-institucionalista histórica, o processo de produção das políticas é tomado a partir da configuração institucionalizada das relações de poder entre os atores na medida de uma trajetória temporal (NORTH, 1990). O desenho institucional tem influência na articulação e na constituição de interesses, bem como na formulação das preferências dos atores, gerando vantagens na capacidade de influência e nos resultados específicos das políticas (GOODIN, 1998). Condições institucionais afetam o grau de pressão de uma agente sobre as políticas, assim como a direção provável da política adotada.


Na perspectiva do Neo Institucionalismo Histórico, existe uma ênfase na percepção de que as instituições espelham uma partilha de recursos sociais e políticos assimétricos e que, por conseguinte, geram interesses que tendem a favor de sua manutenção. As relações entre os atores estão sujeitas aos custos transacionais. Buscando mitigá-los, instrumentalizam mecanismos de coordenação, cooperação e comunicação por meio da criação de instituições, facilitando trocas informacionais entre outras medidas para minimizar os custos de transação; por meio da mudança institucional, observa-se que as instituições compõem as interações políticas, derivando desse quadro a inferência de que a execução das políticas liga-se à eficiência institucional, ainda que as instituições mudem ao longo de uma trajetória de tempo alterando a dinâmica das interações políticas (NORTH, 1990).
Cada política, neste sentido, gera sua própria rede de atores, desenhando-se em canais institucionais próprios e com caráter e dinâmicas próprias, rompendo, desta maneira, a percepção de um Estado monolítico. Com isto, é possível observar cenários de competição pela apropriação de recursos, de ampliação de campos de atuação e graus concentradores de poder dentro de cada organismo ou setor institucional. Por exemplo: a capacidade de um Ministério e/ou Secretaria promover seus objetivos políticos não depende somente dos recursos econômicos, humanos ou de informação disponíveis, mas também da competição ou cooperação existente com outros Ministérios e/ou Secretarias. No cenário de competição, as políticas existentes podem ser dimensionadas de maneira a produzir estagnação devido ao cenário poder ser gerido por pontos de veto (veto points) e, por conseguinte, causando paralisia decisória (TSEBELIS, 1997); já no âmbito da cooperação as políticas podem ser dimensionadas de maneira a produzir aprendizado e avanço das políticas específicas.