A coisa que mais me impressiona nessa eleição presidencial de 2010 é a ausência do Presidente Lula como candidato. Desde 1989, quando ainda era um guri, venho acompanhando a trajetória do atual Presidente nas disputas eleitorais para o mais alto cargo político no Executivo brasileiro. E não o ter mais como candidato é…estranho. Entretanto, essa ausência será, de certa maneira, menos sentido por sua “onipresença” na campanha de Dilma Rousseff. Mas como já havia dito, Lula estará ausente das verdadeiras batalhas, dos debates entre os candidatos e ele bem sabe o que certo privilégio em edições de debates podem acarretar a um candidato, ainda que hoje, acredito, manobras como a famosa edição feita pela Rede Globo (ainda maior canal de comunicação do país) sejam menos fáceis de ser promovidas. A democracia brasileira está mais amadurecida, é por isso? Talvez.

E para observarmos com certeza se uma democracia encontra-se consolidada (tem cientista político que não gosta desse termo, mas bah, deixe pra lá!) é fundamental observar se as instituições políticas encontram-se sólidas. É o caso brasileiro? Grosso modo acredito que sim. E é nesse ponto que retomo “a questão Lula”: a personalização de seu governo através de sua pessoa.

Acusado de “personalizar” o poder, Lula, nesta eleição, chegou ao ponto de ser bem quisto até pela candidatura da oposição personalizada partidariamente pelo PSDB,DEM E PPS. José Serra, candidato a Presidência pelo PSDB, tem todos os motivos para não bater de frente com o Presidente Lula. Serra não é bobo. Um governo em final de segundo mandato com índices de aprovação beirando os 80% não pode ser vendido como algo negativo. Os diversos segmentos ou classes sócioeconômicas sabem os ganhos/benefícios que o programa governamental do governo Lula trouxe de positivo. Cabe a Serra bater na candidata Dilma e no PT.
Vale a pena? Em minha opinião, a candidatura Serra pagará o preço pela trajetória de entraves e azedumes que a oposição tentou deflagrar, sem sucesso, ao governo Lula. Agora fingir que vai apoiar políticas nascidas e gestadas nesse governo do PT com a mesma habilidade e vontade política que seus formuladores e implementadores é meio que “história para boi dormir”. Que resta a Serra? Tentar colar sua imagem a de um bom gestor e político que tem a capacidade de se elevar acima da intrincada guerra paulista que permeia as relações entre PT-PSDB. O problema é que Serra também faz parte desse quadro de conflito paulista que acaba polarizando os dois partidos também em nível nacional.
E Marina Silva? Marina é o suspiro político numa campanha polarizada entre dois partidos que exerceram, nos últimos dezesseis anos, o poder no Executivo federal. Marina tem um histórico de luta pessoal por progresso, de integridade pública e bagagem pessoal para se discutir e implementar políticas que incorporem o desenvolvimento sustentável em suas mais variadas formas, seja ambiental, econômica ou social. Mas a candidatura Marina esbarra na menor estrutura partidária que o PV fornece, diferentemente do PT e do PSDB. E essa menor estrutura pode atrapalhar sim o desenvolvimento de sua candidatura. Mas Marina é, defintivamente, uma lutadora e vai “combater o bom combate”, no dizer do Apóstolo Paulo, um lutador na fé cristã de Marina Silva.
E, por fim, retorno a ausência do Presidente Lula como candidato. Ele está presente sim, acredito que até em todos os quadros e inserções no horário eleitoral gratuito da candidata do PT, Dilma Rousseff, mas desta vez será apenas um ilustre e fundamental coadjuvante. E pode fazer diferença? Ao que indicam as pesquisas essa diferença existirá a favor de Dilma. Mas definitivamente a eleição não está ganha. Mas que estranharei, no momento de “depositar” meu voto a ausência, na “cédula” 13 do rosto sorridente do Presidente Lula, como dizia um professor da UFPE, “apreciador de galinha cabidela”.