Índia, Brasil e África do Sul são, no contemporâneo ambiente econômico internacional, global players.  Mas não possuem o mesmo padrão de interesses de global players em suas atuações internacionais, em especial na dimensão regional em que existem. Por exemplo, Brasil e África do Sul são pró-ativos nas políticas comerciais dos seus respectivos blocos de comércio do qual participam, MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) e SACU (Southern Africa Customs Union) e podem ser considerados líderes regionais que exercem forte atuação política no âmbito comercial de suas regiões. O peso de suas economias nas respectivas regiões é alto.

Já a Índia encara de forma diferenciada o estabelecimento de veículos fomentadores de livre comércio. O comportamento da Índia quanto a SAARC (South Asian Association for Regional Cooperation), reflete a percepção das elites dirigentes indianas que a SAARC é um veículo inadequado aos seus interesses comerciais no sul da Ásia, preferindo atuar, junto aos demais países de sua região, em relações bilaterais.
Índia, Brasil e África do Sul também passaram por mudanças domésticas estruturais semelhantes nas últimas décadas que modificaram suas estruturas econômicas. Podemos identificar cinco aspectos contributivos dessas mudanças estruturais (no qual considero que a Índia exime-se, na comparação, apenas quanto ao primeiro item da lista abaixo posicionada).
a) Adoção de regimes políticos democráticos;
b) A priorização da estabilidade macroeconômica como base para o desenvolvimento sustentado;
c) Abandono da estratégia industrialização por substituição de importações;
d) Busca de uma melhor distribuição de renda;
e) Maior participação nos fluxos comerciais internacionais.
Entretanto, Brasil e África do Sul tem uma trajetória de índices de crescimento econômico muito semelhantes, como pode ser observada na tabela 4 (p.), diferentemente da Índia. Ou seja, Brasil e África do Sul possuem uma trajetória de crescimento econômico reduzida ao longo de dez anos (1996-2006). Mais ainda: o nível comparativo semelhante entre os países pode ser observado também por meio da baixa renda per capita, seja por meio de métodos tradicionais seja por meio da paridade do poder de compra (PINHEIRO & MOREIRA, 1996).
São países que perseguem, historicamente, atingir um nível cada vez maior de desenvolvimento econômico e social. Entretanto, suas trajetórias de crescimento econômicos não se mostraram estáveis do ponto de vista da continuidade. O que permite refletir o quadro comparado dos países e em como a vinculação direta entre desenvolvimento e crescimento econômico não necessariamente caminham ao lado de maior distribuição de riqueza. O alerta vem de Ignacy Sachs (2001) e parece se projetar perfeitamente na observação da trajetória da Índia, do Brasil e da África do Sul.
Para o economista Ignacy Sachs (2001), o crescimento não acarreta, necessariamente, o desenvolvimento. Para ele, ocorre muito mais um crescimento ancorado pela desigualdade, permeado de efeitos sociais perversos, perfazendo realidades sociais muito semelhantes entre os países (um crescimento com desdesenvolvimento). A concentração da riqueza em torno de uma minoria deriva as conseqüências de: (i) geração de pobreza acentuada e (ii) deterioração alarmante da qualidade de vida das pessoas:
O fato de que o desenvolvimento não está contido no crescimento econômico não deve ser interpretado em termos de uma oposição entre crescimento e desenvolvimento. O crescimento econômico, se repensado de forma adequada, de modo a minimizar os impactos ambientais negativos e colocado a serviço de objetivos socialmente desejáveis, continua sendo uma condição necessária para o desenvolvimento.(SACHS, 2001, p. 157, itálico meu)
Políticas de maior e melhor distribuição de renda associada diretamente ao crescimento e desenvolvimento econômicos são as diretrizes que os líderes políticos da Índia, do Brasil e da África do Sul buscam promover em suas políticas econômicas, que embora de natureza diferenciada, convergem no enfrentamento de adversidades semelhantes características de países dos seus portes.
A identificação de desafios comuns a países de contextos sociais, políticos e econômicos semelhantes possibilita construir parcerias e agendas em comum. Adianto, neste sentido, que essa identificação dos desafios comuns aos países é que fomentou, por parte de seus policy makers, a possibilidade efetiva de articular uma parceria estratégica no ambiente internacional como é o Foro IBAS.
Contudo, antes de adiantar, neste sentido, a discussão sobre o maior estreitamento dos países, é fundamental discorrer, mesmo que brevemente, sobre os graus de semelhanças (bem como diferenças) e as condições e desafios oferecidos para maior estreitamento de interesses em suas respectivas agendas econômicas. Tanto a Índia quanto o Brasil e a África do Sul usufruem de condições econômicas domésticas e sistêmicas semelhantes.
Na tabela  é possível visualizar esse quadro, embora a economia indiana tenha um peso maior, o quadro de indicadores (como os gastos públicos em educação e saúde registrados em 2005, por exemplo, são muito próximos entre o Brasil e a África do Sul e menor da parte da Índia).
Quadro Comparado entre Índia, Brasil e África do Sul
Índia
Brasil
África do Sul
População de 15 anos ou mais economicamente ativa (2007)
58,30%
67,80%
61,20%
Mulheres de 15 anos ou mais economicamente ativa (2007)
33,90%
57,30%
45,10%

População (2006-2007)

1.169.015.510

191.790,900

48.576,764
Gastos Públicos com Educação (2005)
3,7% (PIB)
4,1% (PIB)
5,4 % (PIB)
Gastos Públicos com Saúde (2003)
1,2% (PIB)
3,4% (PIB)
3.2% (PIB)
Total de Importação (2005)
138.840, 00 milhões de US$
77. 633,2 milhões de US$
62. 304, 30 milhões de US$
Total de Exportação (2005)
99. 375, 80 milhões de US$
118. 308 milhões de US$
51. 625,70 milhões de US$
Fonte: IBGE
Os países adotaram, ao longo do século XX, um modelo de desenvolvimento econômico baseado em investimentos acentuados nas denominadas indústrias pesadas, com efetivo apoio e interposição estatal do ponto de vista de incentivos fiscais, de proteção tarifária e não tarifária, ou ainda, de controle dos níveis de preços. Esse cenário gerou um modelo de substituição de importações que fomentou o desenvolvimento de setores estratégicos, com grandes empresas de propriedade pública que atuaram fundamentalmente no mercado doméstico, protegidas por subsídios e proteção comercial, gerando, com isto, uma acentuada dependência do Estado. Comparativamente, o quadro brasileiro e indiano (mas podendo ser perfeitamente exemplificado também com a África do Sul com exceção da pressão inflacionaria) gerou um mesmo cenário: “perda de produtividade, decréscimo de investimentos, pressão inflacionária e desequilíbrio fiscal caracterizando, na década de 80, um quadro de esgotamento desse modelo econômico em ambos os países.” (CORTES COSTA, 1997, p. 317).