Na política ambiental existe uma dificuldade na identificação do instante preciso das decisões para resolução dos problemas. Por não existir um único responsável por decisões acerca de como os recursos naturais são utilizados, uma multidão de atores, cujas decisões acumuladas dão lugar a uma gestão mais ou menos eficiente do meio ambiente, geram dispersão de eficiência muitas das vezes. Nesse mesmo âmbito, as instituições responsivas à política ambiental caracterizam-se por uma seqüência de atividades variadas de numerosos atores, que têm interesses, perspectivas e recursos diferentes.

O êxito de uma política se articula tanto em torno de sua contribuição ao desenvolvimento de aptidões de adaptação e de resiliência quanto em torno de redução imediata dos impactos negativos das atividades humanas sobre o meio ambiente. Toda política ambiental deve fornecer os meios de gestão dos múltiplos dilemas e de proteção contra os efeitos perversos inevitáveis e imprevisíveis. Mais: toda política ambiental depende do grau de consenso sobre o qual venha a repousar. Esse quadro da política ambiental de mudanças climáticas reflete um grande dilema nas democracias representativas constituído por um trade off: o Estado deve ser decisivo ou responsivo?
Parte da Ciência Política considera que “a dispersão de poder produz ineficiência política. Assim, quanto mais pontos de veto (atores políticos participando diretamente na formulação de uma política) maior a chance de paralisia decisória. É um quadro de análise que intuitivamente pode separar eficácia política de inclusividade, já que um cenário de dispersão de poder, embora possa se caracterizar por uma maior inclusividade na tomada de decisão, perde, em contrapartida, em eficiência.
Considero, portanto, que nesse trade off se encontra fundamentalmente a discussão sobre accountability na teoria política contemporânea e, como efeito, um aspecto fundamental apresentado no trabalho: o exame dos níveis decisórios e dos cenários institucionais articulados permite, então, verificar de forma mais clara “o que” e “como” se decide e “quem” se beneficia dessas decisões em torno da agenda ambiental, analisando, desta forma, o processo de captura da distribuição de poder político e as implicações decorrentes na tomada de decisão da política ambiental.
Como “brinde” a questão sobre política ambiental, um vídeo excelente sobre os efeitos perversos do padrão de consumo e desenvolvimento da sociedade moderna: “Ilha das Flores”. Um documentário curta metragem que não me canso de assistir e, agora, dividir o conteúodo excelente que perpassa cada momento do documentário. Em outras palavras: “um tapa na cara”.