Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) as cidades são responsáveis por uma média de 75% do consumo mundial de energia e por 80% das emissões de gás do efeito estufa. Os efeitos das mudanças globais do clima já estão na agenda política internacional, especialmente, desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo, no período de 5 a 16 de junho de 1972. Embora as atribuições sobre a redução da emissão de CO2 tenham recaído sobre os Estados nacionais, especialmente após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD ou Rio-92), na verdade foi um governo subnacional, a cidade de Toronto, no Canadá, quem primeiro estipulou uma meta na redução de emissões de GEE bem como um cronograma de políticas públicas voltadas ao tema. Algo que, do ponto de vista do papel que as cidades representam no consumo de energia e nas emissões de gás de efeito estufa no planeta, configura-se extremamente relevante.


A possibilidade de maior participação política das unidades subnacionais com políticas públicas dispostas a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas resultou no incentivo de maior atuação política dos governos subnacionais, criando-se a C-40 – “Cidades do Grupo de Liderança em Clima” -,organização que reúne as maiores cidades do planeta com o objetivo de fomentar políticas de enfrentamento às mudanças climáticas. A organização foi criada em Londres no ano de 2005, configurando uma iniciativa de cooperação internacional para agregar tanto lideranças políticas quanto empresariais das maiores cidades do mundo para o objetivo de discutir e propor soluções no enfrentamento às mudanças climáticas, soluções dispostas na redução das emissões de GEE como efeito de ações articuladas entre o poder público e a sociedade civil.

No último encontro da organização, prefeitos das maiores metrópoles do planeta assinaram a declaração final do encontro, no qual se comprometem em formular e implementar políticas de enfrentamento às mudanças climáticas objetivando reduzir as altas emissões de GEE. Esse cenário de articulação entre grandes cidades do mundo reflete um espaço aberto aos governos subnacionais pelo avanço dos regimes internacionais. Ainda que se tenham formulado iniciativas políticas inovadoras e mesmo pioneiras, a maior parte das cidades do mundo carecem de políticas públicas efetivamente coadunadas e, mais alarmante ainda, diante da urgente necessidade de medidas para adaptar e reduzir os efeitos das mudanças climáticas no tecido urbano. A próxima reunião, a ser realizada em 2011, será na cidade de São Paulo.