Tramitou na Câmara de Vereadores do Município de São Paulo desde Setembro de 2008, o Projeto de Lei nº 530/08, denominado Projeto do Clima em São Paulo, que estabeleceu como meta, até 2012, a redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa na cidade de São Paulo. A meta, emboraa priori possa ser considerada ambiciosa, já reflete a busca por políticas de adaptação e mitigação por parte do poder público municipal de São Paulo. Entre os anos de 2005 e 2008, a cidade já conseguiu reduzir em 20% sua estimativa de emissões de CO2, por meio do funcionamento das usinas de biogás nos aterros São João e Bandeirantes.

Outro ponto considerado pertinente para avaliação das políticas públicas ambientais e, especialmente, a política climática municipal, é a forma como são desenhadas as instituições participantes do processo de negociação, formulação e implementação das políticas públicas. No modelo de poliarquia decisória a importância das condicionantes internas terão uma vinculação direta pela definição do papel das instituições políticas de cada Estado e os mecanismos institucionais dispostos à distribuição de poder em meio ao processo decisório de alguma política, pressupondo que a organização do Estado interfere no processo decisório.

As condições institucionais afetam o grau de pressão de um agente sobre as políticas, bem como a direção provável da política adotada. Cada política gera sua própria rede de atores, desenhando-se em canais institucionais com caráter e dinâmicas próprias, rompendo a percepção de um Estado monolítico. Com isto, é possível observar cenários de competição institucional pela apropriação de recursos, somada a ampliação de campos de atuação e graus concentradores de poder dentro de cada organismo institucional. A proteção ambiental ganhou status constitucional em 1988. Segundo Leila da Costa Ferreira (1998), dois princípios podem ser identificados na Constituição Federal de 1988: (i) todos teriam direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e: (ii) o poder público e a coletividade têm o dever de preservar e proteger o meio ambiente.  Segundo a autora, o cumprimento dessas diretrizes depende de uma ação articulada e equilibrada entre os três níveis do poder público: federal, estadual e municipal:
As constituições disciplinaram o campo de atuação da União e do Estado e a lei orgânica deveria nortear a ação municipal. (…) A Prefeitura pode conter: o Conselho Municipal de Meio Ambiente, órgão colegiado, de caráter consultivo, deliberativo e de assessoramento, composto paritariamente por membros indicados pelo poder público e pela comunidade. (…) As secretarias ou departamentos da administração municipal devem, em suas atividades rotineiras, tratar de matéria relativa à questão ambiental. A Câmara Municipal é essencial no seu papel legislador e fiscalizador dos atos do poder público, e pode ser assessorada pelo conselho ou por outros órgãos afins. (Ferreira, 1998, p. 31)
Desde 2005 existe o Comitê Municipal de Mudanças Climáticas e Eco-Economia, integrado por representantes das Secretarias de Coordenação das Subprefeituras, de Infra-estrutura Urbana e Obras, de Transportes, de Serviços, de Habitação e de Gestão, além de membros da Empresa Municipal de Urbanização e da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo. O IEGEE (Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa) do município de São Paulo, realizado com base em dados obtidos entre 2003 e 2005, indica que os maiores emissores de Gases de Efeito Estufa (GEEs) seriam: (i) energia e (ii) resíduos sólidos. Especialmente quanto à energia, 90% das emissões originam-se das emissões veiculares. Quanto às emissões oriundas dos resíduos sólidos, as mesmas encontram-se reduzidas pelo funcionamento das duas usinas de biogás (São João e Bandeirantes).
O Plano de Política de Mudanças do Clima (PPMC) da Prefeitura Municipal de São Paulo aponta estratégias para se atingir a meta de redução de 30% das emissões da cidade no período entre 2008-2012. As estratégias políticas são inclusivas e diversificadas no fomento de um maior desempenho das políticas públicas. As estratégias do PPMC podem ser identificadas em três grandes eixos temáticos: (i) transportes, (ii) resíduos sólidos e (iii) construção. Os efeitos desses três eixos temáticos serão desdobrados em uma série de metas institucionais da Prefeitura Municipal de São Paulo:
1º) Transportes: (i) estímulo ao uso de meios de transporte com menor potencial poluidor; (ii) uso prioritário de energias renováveis em transportes como metrô, trens urbanos e trólebus; (iii) privilégio do uso noturno no monitoramento e armazenamento de cargas; (iv) a implantação de corredores exclusivos para ônibus; (v) programas e incentivos para carona solidária e transporte compartilhado; (vi) continuidade do Programa de Inspeção Ambiental Veicular; (vii) redução progressiva de uso de combustíveis fósseis em programas, contratos e autorizações municipais de transportes públicos e incentivos na utilização do combustível renovável em todos os veículos do sistema de transporte público municipal.
2º)  Resíduos Sólidos: (i) estabelecimento de programa obrigatório de coleta seletiva de resíduos e promover a instalação de “ecopontos” nos distritos da cidade; (ii) empreendimentos de grande concentração bem como circulação de pessoas deverão ter instalados equipamentos e gerir programas de coleta seletiva de resíduos sólidos para fins de obtenção de certificado de conclusão, licença ou alvará de funcionamento; (iii) desestímulo, tanto do poder público quanto da iniciativa privada, do excesso de embalagens e do uso de sacolas não biodegradáveis.
3º) Construção: (i) estabelecimento de critérios de sustentabilidade ambiental, eficiência energética e eficiência de materiais em novas construções: (ii) construções existentes quando submetidas a reforma ou ampliação deverão também obedecer aos mesmos critérios de novas construções; (iii) obras e serviços de engenharia dispostos sob contrato pelo poder municipal deverão comprovar, de forma obrigatória, a utilização de produtos e derivados de madeira de procedência legal, tanto quanto a madeiras exóticas quanto nativas.
A cidade de São Paulo faz parte da direção mundial do ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade) bem como da Comissão Executiva do Grupo C-40 (entidade que reúne as 40 maiores cidades do mundo em torno do objetivo de diminuir a poluição de forma local, mas gerando como efeito a diminuição em nível regional, nacional e internacional), um grupo de metrópoles lideradas por Londres e Nova York, cujo objetivo maior é a articulação de políticas de adaptação e mitigação das mudanças ambientais globais. Identifica-se, na incorporação do regime internacional de mudanças climáticas na agenda pública municipal paulistana, uma visibilidade maior dos temas ambientais e, especialmente, das mudanças climáticas e um movimento sistêmico articulado entre as maiores metrópoles mundiais para o fomento de políticas públicas responsivas ao regime internacional de mudanças climáticas.
Embora possa ser tradicionalmente avaliada do ponto de vista da Administração Pública Federal, a incorporação do Regime Internacional de Mudanças Climáticas não incorreu apenas na seara dos Estados nacionais, como bem se observa pelo nível de articulação do Grupo C-40, mas também na aprovação de políticas públicas subnacionais (do ponto de vista do desenho federativo brasileiro) para o enfrentamento dos efeitos dispersos das mudanças climáticas. Entretanto, não se reduzem em graus de importância e efeitos as políticas públicas subnacionais, especialmente as de caráter municipal. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) as cidades são responsáveis por uma média de 75% do consumo mundial de energia e por 80% das emissões de gás do efeito estufa.