Entre 1919 a 1970, a taxa de crescimento anual sul africano girou em torno de 5,3% a.a. Entretanto, ao avançar da década de setenta o ritmo de crescimento do PIB desacelerou, em parte, possivelmente, pela acentuação do regime de apartheid e, por conseguinte, da turbulência política doméstica e às sanções internacionais impostas ao regime sul africano depois dos conflitos (e massacres) realizados em Soweto, no ano de 1976. Há um pequeno interlúdio dessa desaceleração do crescimento econômico sul africano no biênio 1980-1981, quando o PIB teve um crescimento médio de 6% a.a, crescimento este que não se sustentaria com o avançar da década de oitenta, num continuum de recessão econômica que o país, depois da instauração da democracia em 1994, ainda busca mitigar. Tal qual o Brasil e a Índia, a África do Sul encontrou o modelo de industrialização por substituição de importações como receituário seguro para seu desenvolvimento. Com a adoção deste modelo, a África do Sul gerou uma economia sob forte intervenção do Estado, derivando, desta conjuntura econômica, a retração ao comércio exterior e em acentuadas deformidades alocativas. É indubitavelmente imprescindível acrescentar que a procura por uma economia autárquica foi reforçada pelas inúmeras sanções internacionais sofridas pelo regime segregacionista sul africano ao longo da década de setenta e oitenta.

O país apresentou, no período de 1965 à 1985 elevadas taxas de investimento que, comparativamente aos valores observados no Brasil no mesmo período de tempo, o superaram consideravelmente. Esse quadro comparado explica, de certa forma, as boas condições infra-estruturais encontradas nos dois países. Entretanto, vale a pena ressaltar, esse quadro sofreu intempéries devido a três fatores especialmente (dois dos quais adiantados no parágrafo anterior):
1) Deterioração das condições econômicas domésticas pelo agravamento do modelo deapartheid institucionalizado pelo regime sul africano;
2) A ampliação das sanções internacionais (econômicas e políticas) e conseqüente isolamento da África do Sul do resto do mundo, ainda que países como Estados Unidos e o próprio Brasil mantivessem “relações” com a África do Sul;
(3) A elevação da taxa de juros no país.
Com estes três cenários agravados, a taxa de investimento caiu consideravelmente ao longo da trajetória sul africana nas últimas décadas, recuperando-se lentamente após a democratização do país. Até mesmo porque, a performance macroeconômica sul africana tem se consolidado, mas não de forma “espetacular”. Por exemplo, entre 1995 e 2004, o crescimento econômico sul africano girou em torno dos 3.4 pontos percentuais. Desta forma, é possível afirmar que o crescimento econômico sul africano é sustentável, mas moderado.
A década de noventa, para a economia da África do Sul, possibilitou recuperar  o crescimento econômico (crescimento retomado em todos os setores industriais e de serviços), fundamentalmente devido a expansão das exportações bem como do consumo do governo. É importante frisar que essa recuperação deriva da democratização do país e por ela a África do Sul articulou-se de forma mais reforçada com as economias mundiais e, principalmente, de seu entorno geopolítico, aderindo, por exemplo à Southern African Development Community e revisando o acordo com a SACU, cujo acordo era distante de ser democrático, uniforme e eqüitativo (KEET, 1996).

É válido lembrar que os processos de integração originalmente elaborados visavam justamente a diminuição dessa dependência nas relações comerciais Norte-Sul. A integração, sob a perspectiva da teoria da Dependência, era estimada como um recurso das economias periféricas do sistema capitalista em confrontar a dependência do Centro/Norte, facilitando arranjos cooperativos que contemplassem as relações Sul-Sul.

Fórum Índia – Brasil – África do Sul: saída multilateral ao Sul
Com esta retomada de diálogo, o comércio na região do sul da África expandiu-se. Antes do processo de democratização da África do Sul, os influxos comerciais sul africanos direcionavam-se, especialmente, à Europa, ocorrendo, na era pós – apartheid, o reconhecimento da importância estratégica da África, já que, enquanto o comércio para a Europa era, fundamentalmente, de produtos minerais e agrícolas, para a África o comércio era especialmente de produtos industrializados (Keet, 1996, p. 273).
A região do sul da África, vale ressaltar, é extremamente integrada, com um caráter acentuadamente interdependente. As economias dos países do seu entorno encontram-se fortemente articuladas à da África do Sul. Articuladas do ponto de vista de uma interdependência, mas de caráter assimétrico na região. O peso da economia sul africana é sentido  em toda a região:
Internacionalmente, a África do Sul é considerada não apenas como um mercado em si, mas como uma plataforma de lançamento para a penetração do comércio no restante do continente, e como um fator estabilizador. Por isso, as perspectivas de desenvolvimento da África do Sul devem ser consideradas no contexto do sul da África. (KEET, 1996, p. 275)
É interessante observar que tanto a África do Sul quanto o Brasil e a própria Índia podem ser identificados como líderes regionais. Líderes regionais em regiões onde o comércio inter-regional ainda é incipiente, ainda que, especialmente o Mercosul, já sofra de um processo de integração e institucionalização maior, em comparação a SACU ou a SAARC:
O avanço da integração regional, particularmente no Brasil, parece ser o fato mais relevante a ser destacado. O sucesso do Mercosul fez com que a América Latina ampliasse substancialmente sua participação comércio brasileiro, tanto no lado das importações como das exportações. (…) Com relação à África do Sul, ainda que do ponto de vista formal a integração regional esteja nos seus primeiros passos, os avanços já foram perceptíveis. (…) o esforço de reintegração regional (…) mesmo sem um acordo formal de integração e apesar das dificuldades impostas pelas diferenças de renda per capita entre os países da região. (PINHEIRO & MOREIRA, 1996, p. 40)
O desemprego permanece como o “fantasma” a assombrar os governos sul africanos nas últimas décadas. Segundo Blumenfeld (1995), ainda que a riqueza acumulada, os vastos recursos naturais, a boa infra-estrutura do país e o surgimento de uma classe média sul africana negra, ocorreu na África do Sul uma acentuada e persistente deterioração do desempenho econômico do país, gerando índices maiores de desemprego e acentuação do nível de pobreza, acarretando, por conseguinte, uma queda do padrão de vida no país.
Na tabela  é possível observar uma queda considerável da taxa de desemprego de mais de dez pontos percentuais entre o período de 2003 à 2007, bem como um ritmo de crescimento da produção industrial, fugindo da estagnação anteriormente experimentada na década de 80.
Tabela Taxas de Desemprego, Crescimento da Produção Industrial e Inflação (preços ao consumidor)
Período
Taxa de Desemprego
Taxa de crescimento da produção industrial
Taxa de Inflação (preços ao consumidor)
2003
37,00%
3,00%
9,90%
2004
31,00 %
5,00%
5,90%
2005
26,20 %
5,50%
4,50%
2006
26,60 %
3,60%
4,00%
2007
25,50%
7,10%
5,00%
Fonte: CIA World Factbook
Não resta dúvida de que, fundamentalmente, o maior desafio ao governo sul africano é reverter os baixos índices sociais da maior parte de sua população, a população negra do país, anteriormente cerceada dos mínimos direitos humanos, sociais e econômicos pelas nefastas políticas racistas do antigo regime:
Quando o apartheid terminou formalmente, a África do Sul era o país mais desigual do globo. (…) em 1993-1994, a renda  média das famílias brancas era 7,4 vezes maior do que a das famílias negras, 4,4 vezes maior do que a das famílias mestiças e 2,4 vezes maior do que as famílias indianas. (MILLER, 2005, p. 162)
Com a democratização do país, a efetiva possibilidade de suprir as demandas desse grande conjunto populacional tornou-se mais viável. O Congresso Nacional Africano (CNA), ao assumir o poder político decisório sul africano, buscou criar políticas redistributivas (como o Programa de Reconstrução e de Desenvolvimento, RDP), atendendo cinco critérios para uma melhor e mais efetiva política redistributiva: (i) atender as necessidades sociais elementares; (ii) o desenvolvimento de recursos humanos; (iii) a reestrutura econômica do país; (iv) a democratização do Estado bem como da sociedade e (v) a mobilização social com vistas a implementação e sustentação do Programa.
Entretanto, mais tarde, o RDP foi substituído, dentro da lógica neoliberal de liberalização dos mercados, pelo GEAR (Growth, Employment and Redistribution) que incluía em seu pacote medidas como: (i) redução dos gastos públicos; (ii) privatização das empresas (corporações) estatais e quebra de monopólios por parte do Estado; (iii) vinculação do crescimento dos salários à produção; (iv) liberalização do comércio e de capitais e; (v)introdução de incentivos fiscais com fins de fomentar o investimento interno.
Tanto a África do Sul quanto o Brasil, por exemplo, encontram-se em um momento propício para a retomada do crescimento e desenvolvimento econômico, agora com maior distribuição da riqueza gerada. Constituem-se países com grandes mercados internos, um parque industrial complexo com caráter diversificado, e avantajados no que diz respeito aos seus recursos naturais e, uma infra-estrutura física boa, ressaltando a vantagem sul africana neste ponto em relação ao Brasil. As vantagens econômicas dos dois países no ambiente econômico internacional não são pequenas, tanto do ponto de vista dos respectivos processos de integração regional do qual participam quanto de articulações bilaterais com os mais diversos parceiros.